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Glossário do aquarismo
Atualizado em 21 de agosto de 2026 · 35 termos
Os termos que aparecem no rótulo do produto, na descrição do equipamento e na resposta do fórum — definidos em uma frase, com o que fazer com cada um. Onde existe uma conta por trás, o link leva para a calculadora que a resolve.
Química da água
O que os testes medem, e por que dois aquários com o mesmo número podem estar em situações opostas.
- Dureza de carbonatosKH
- A quantidade de carbonatos e bicarbonatos dissolvidos — o que segura o pH no lugar. KH baixo não é "água ruim": é água sem freio, em que o pH oscila com facilidade.
Na prática: se o seu pH cai sozinho entre uma troca e outra, o problema quase sempre é KH, não pH. Veja a calculadora de tampão.
- Dureza geralGH
- Cálcio e magnésio dissolvidos. É o que define se a água é "mole" ou "dura" para quem mora nela — camarões Neocaridina precisam de GH; Caridina e tetras amazônicos preferem pouco.
- Sólidos totais dissolvidosTDS
- A soma de tudo que está dissolvido na água, medida por condutividade elétrica. Não diz o quê está dissolvido — só quanto. Serve para acompanhar tendência: TDS que sobe sem você acrescentar nada é matéria orgânica acumulando.
- Amônia livreNH₃
- A fração realmente tóxica da amônia. O teste mede amônia total (NH₃ + NH₄⁺), e a proporção entre as duas depende do pH e da temperatura: a mesma leitura de 1 mg/L é quase inofensiva em pH 6,5 e emergência em pH 8,5.
Na prática: nunca leia amônia sem o pH ao lado. A calculadora de amônia tóxica faz a conversão.
- Troca parcial de águaTPA
- Trocar uma fração da água por água nova tratada. É a ferramenta que dilui o que o filtro não remove — nitrato, fosfato, matéria orgânica dissolvida — e a primeira resposta para quase todo desvio de parâmetro.
Na prática: a conta é de diluição, não de intuição. A calculadora de troca parcial diz quantas trocas de quanto para sair de um nitrato X e chegar em Y.
- Cloramina
- Cloro ligado à amônia, usado no tratamento da água de abastecimento porque não evapora como o cloro livre. Deixar o balde descansando não resolve, e o condicionador que neutraliza a cloramina libera a amônia na água — que o aquário ciclado consome.
Biologia e povoamento
Por que "quantos peixes cabem" não se resolve com uma regra de bolso.
- Alga peteca (barba preta, BBA)
- Alga vermelha filamentosa que forma tufos curtos, duros e escuros na borda das folhas velhas, no tronco e na saída do filtro. Também chamada de barba preta, barba negra, pincel e BBA (de black beard algae); aparece grafada como "peteleca" na fala, mas a forma consolidada é peteca. A literatura de aquarismo a atribui ao gênero Audouinella, atribuição que a ficologia derrubou para água doce. A causa não é excesso de ferro: é CO₂ mal regulado, fluxo mal distribuído e matéria orgânica acumulada — veja o guia da alga peteca.
- Ciclagem
- O período em que as colônias de bactérias se estabelecem no filtro e no substrato até converter amônia em nitrito e nitrito em nitrato. Termina quando amônia e nitrito zeram com uma fonte de amônia ativa — não quando a água fica transparente.
Na prática: acompanhe pela calculadora de ciclagem, que trabalha com os três parâmetros ao longo dos dias.
- Carga biológica (biocarga)
- A quantidade de resíduo que os habitantes produzem por dia, que é o que o filtro e as trocas precisam dar conta. Depende do porte, do metabolismo e da voracidade da espécie — um peixe de 10 cm que come muito pesa mais que dois de 5 cm que comem pouco.
Na prática: é por isso que "1 cm de peixe por litro" falha. A calculadora de lotação usa carga por porte e fator de espécie, com vetos de compatibilidade.
- Quarentena
- Manter o peixe novo isolado por 2 a 4 semanas antes de entrar no aquário principal. É o único procedimento que impede a doença de chegar junto com o animal — e o único que quase ninguém faz.
- Aclimatação
- Igualar temperatura e química da água do transporte com a do aquário antes de soltar o peixe. O choque que mata não costuma ser o de temperatura: é o de pH e de salinidade, que exige gotejamento, não só "boiar o saquinho".
- Cardume obrigatório
- Espécies que só se comportam normalmente em grupo — abaixo de um número mínimo ficam estressadas, escondidas ou agressivas. Não é preferência estética: é requisito de bem-estar, e entra como veto no cálculo de lotação.
Plantado
Os termos que separam o aquário com plantas do aquário plantado.
- Epífita
- Planta que vive fixada em rocha ou tronco, sem enterrar a raiz — Anubias, Microsorum (samambaia-de-java) e Bucephalandra são as comuns. Enterrar o rizoma dessas plantas apodrece a planta; elas comem pela coluna d'água.
- Capacidade de troca catiônicaCTC
- A capacidade do substrato de reter nutrientes catiônicos (potássio, cálcio, magnésio, amônio) e devolvê-los à raiz conforme a planta consome. É o que diferencia um solo fértil de aquarismo de uma areia inerte: a areia não guarda nada, o solo funciona como uma despensa.
Na prática: CTC alta é o argumento técnico do substrato fértil. Ele se esgota com o tempo — em geral 1 a 2 anos — e a partir daí a fertilização passa a depender mais da coluna d'água. Veja líquida ou substrato.
- Humato / substâncias húmicas
- Compostos orgânicos resultantes da decomposição de matéria vegetal — os mesmos que dão a cor de chá da água preta amazônica. Quelam micronutrientes (deixam o ferro disponível por mais tempo), acidificam levemente e têm ação bactericida branda.
Na prática: é o que folhas de amendoeira e turfa fazem no aquário de betta e de tetras. Não substituem fertilizante nem corrigem KH.
- Lei do Mínimo (Liebig)
- O princípio de que o crescimento é limitado pelo recurso mais escasso, não pela soma deles — formulado por Carl Sprengel em 1828 e popularizado por Justus von Liebig. No aquário, os recursos são luz, CO₂, macro e micronutrientes: basta um zerar para a planta parar, e o que sobra dos outros vira comida de cianobactéria (que fixa o próprio nitrogênio), dinoflagelado e alga de mancha verde.
Na prática: nitrato zerado num plantado não é água limpa — é planta parada. Descubra qual é o seu nutriente limitante no guia da Lei do Mínimo.
- Estimativa ÍndiceEI
- Método de fertilização que dosa nutrientes em excesso deliberado e usa a troca semanal de água para zerar o acúmulo — a ideia é nunca deixar a planta com fome, em vez de acertar a dose exata.
Na prática: depende de luz e CO₂ à altura; em aquário de baixa luz vira alga. Veja a calculadora de fertilização EI.
- Radiação fotossinteticamente ativaPAR
- A luz que a planta realmente usa (400 a 700 nm), medida na altura do substrato. É a medida honesta de iluminação — watts e lúmens dizem quanto a lâmpada gasta e quanto o olho humano enxerga, não quanto chega à planta.
Na prática: como quase ninguém tem medidor de PAR, a calculadora de iluminação trabalha por lúmens e profundidade, que é a aproximação viável.
- CO₂ dissolvido
- A concentração de gás carbônico na água, que num aquário sem tampão exótico pode ser estimada pela relação entre pH e KH. É o nutriente mais limitante do plantado de alta luz, e o mais fácil de exagerar: excesso de CO₂ asfixia peixe.
Na prática: a calculadora de CO₂ faz as duas contas — a concentração por pH × KH e a duração do cilindro.
Filtragem e mídias
O que cada mídia faz — e o que ela não faz, por mais que o rótulo sugira.
- Adsorção
- A fixação de moléculas na superfície de um material, por atração físico-química — diferente de absorção, que é embeber. É o mecanismo do carvão ativado e das resinas: a molécula gruda na superfície porosa e fica presa até a superfície saturar.
Na prática: mídia de adsorção satura e para de funcionar sem avisar. Carvão ativado tem vida útil de semanas, não de meses — e carvão saturado dentro do filtro é só um lugar a mais para acumular sujeira.
- Óxido férrico granularGFO
- Mídia que remove fosfato da água por adsorção, usada principalmente em aquário marinho e em plantado com fosfato cronicamente alto. Age rápido e por isso precisa de dose controlada: derrubar fosfato de uma vez estressa corais e pode disparar outros desequilíbrios.
- Mídia biológica
- Material poroso que serve de casa para as bactérias nitrificantes — cerâmica, biobolas, matrix. Não filtra nada por si: o que ela oferece é superfície colonizável e fluxo de água oxigenada passando por ela.
Na prática: nunca lave mídia biológica em água da torneira; o cloro mata a colônia. Enxágue na água que saiu da troca.
- Vazão e rotatividade
- Quantas vezes por hora o filtro processa o volume do aquário. A regra prática é 5 a 10 vezes em água doce e mais em marinho — mas vazão nominal de catálogo é medida sem mídia e sem mangueira, e a real fica bem abaixo.
Na prática: a calculadora de filtragem já trabalha com o desconto e com o tipo de povoamento.
- Esterilizador ultravioletaUV
- Lâmpada que mata microrganismos em suspensão quando a água passa por ela. Resolve água verde (algas unicelulares) e reduz patógenos livres — não alcança nada que esteja fixado no vidro, no substrato ou dentro do peixe.
Na prática: o efeito depende do tempo de exposição: vazão alta demais transforma o UV em enfeite. Veja a calculadora de UV.
Marinho
O vocabulário que só aparece quando a água tem sal.
- Densidade e salinidade
- Salinidade é quanto sal existe na água (em torno de 35 g/L no recife); densidade é como se mede isso na prática, com refratômetro, e o alvo usual é 1,025 a 25 °C. Densidade sem temperatura de referência não quer dizer nada.
Na prática: a calculadora de sal converte volume e densidade-alvo em quilos de sal.
- Escumador (skimmer)
- Equipamento que remove matéria orgânica dissolvida antes de ela virar nitrato, usando microbolhas às quais os compostos aderem. É o coração da filtragem marinha moderna e não tem equivalente prático em água doce.
- Balling
- Método de reposição de cálcio, magnésio, alcalinidade e sais residuais em soluções separadas, dosadas conforme o consumo dos corais. Substitui o reator de cálcio em muitos aquários e exige medição regular — dosar por hábito, sem teste, é o caminho para desequilíbrio iônico.
Na prática: a calculadora de balling dimensiona as soluções pelo consumo medido.
- Sump
- Aquário auxiliar embaixo do principal, para onde a água desce por gravidade e de onde volta bombeada. Tira equipamento de dentro do display, aumenta o volume total do sistema e estabiliza parâmetros.
Na prática: a bomba de retorno precisa vencer a altura até o display. A calculadora de bomba de retorno desconta a perda de carga.
- Osmose reversaRO
- Filtragem por membrana que remove praticamente tudo que está dissolvido, entregando água de TDS próximo de zero. É o ponto de partida do marinho e do plantado de água mole — a água de torneira entra com nitrato, fosfato e silicato que alimentam alga.
Vidro e montagem
Os termos que aparecem no orçamento do aquário sob medida.
- Rimless
- Aquário sem as travas superiores de vidro. Ganha em estética e perde em segurança estrutural: sem trava, a parede frontal trabalha sozinha contra a pressão da água, o que exige vidro mais grosso ou fator de segurança maior.
- Euro brace
- Moldura de vidro contínua na borda superior, que amarra as quatro paredes. É o meio-termo entre o rimless e as travas tradicionais: segura a deformação sem cortar a vista de cima.
- Fator de segurança
- O multiplicador aplicado sobre a espessura mínima calculada, para cobrir variação do vidro, imperfeição de corte e imprevisto de uso. 2,5 é o mínimo para aquário doméstico travado; 3,8 a 4,0 para tanques grandes, furados ou rimless.
Na prática: é o número que separa engenharia de chute — e por isso fica visível e editável no nosso cálculo de espessura.
- Lapidação
- O acabamento da borda cortada do vidro — reta (filete), meia-cana ou canto 45°. Além da estética, tira o fio de corte que concentra tensão e machuca a mão.
- Junta de silicone
- A espessura da linha de silicone entre as chapas. Junta esmagada transmite movimento direto ao vidro; junta excessiva flexiona. O padrão moderno de colagem de topo fica entre 1 e 2 mm.
- Vidro extra clear
- Vidro com baixo teor de ferro, sem o tom esverdeado das bordas do vidro comum. Muda só a aparência — não muda resistência nem espessura necessária, e por isso costuma ser usado na frente e nas laterais, com vidro comum no fundo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre adsorção e absorção?
Adsorção é a molécula grudar na superfície de um material; absorção é o material embeber a substância, como uma esponja. Carvão ativado e resinas trabalham por adsorção — o que importa neles é a área de superfície porosa, e é por isso que saturam: quando toda a superfície está ocupada, param de funcionar.
KH e GH medem a mesma coisa?
Não. KH mede carbonatos e bicarbonatos, que são o freio do pH. GH mede cálcio e magnésio, que importam para o organismo dos habitantes — camarões, por exemplo, precisam de cálcio para a carapaça. Dá para ter KH baixo e GH alto, e vice-versa, dependendo da água da sua região.
Por que o teste de amônia sozinho não basta?
Porque ele mede amônia total, e só uma fração dela é a forma tóxica (NH₃). Essa fração cresce com o pH e com a temperatura: 1 mg/L a pH 6,5 e 25 °C é quase inofensivo, e o mesmo 1 mg/L a pH 8,5 é emergência. Sem o pH ao lado, o número não diz o risco.
Substrato fértil dura para sempre?
Não. A capacidade de troca catiônica (CTC) que faz o substrato reter e devolver nutrientes vai se esgotando conforme as plantas consomem — em geral entre um e dois anos, dependendo da carga de plantas. Quando isso acontece, a fertilização pela coluna d'água passa a carregar o aquário.