Como calculamos
Um número faz tudo, e ele é uma razão entre volumes. Kalkwasser saturado carrega cerca de 117 °dKH por litro de alcalinidade. Repondo E litros de evaporação com kalk num sistema de V litros, a alcalinidade que entra por dia é 117 × E ÷ V, em °dKH.
E o cálcio vem junto, na proporção que a calcificação consome. Cada °dKH que a kalk entrega traz 7,15 mg/L de cálcio. Isso não é coincidência nem virtude do produto: é a estequiometria do carbonato de cálcio. Um mol de cálcio se deposita com dois equivalentes de alcalinidade, e o hidróxido de cálcio libera exatamente essa proporção — é por isso que kalkwasser é chamado de método balanceado, e o critério é o mesmo que Randy Holmes-Farley usa para separar método legítimo de gambiarra.
O teto, então, é geométrico: quanto mais o sistema evapora em relação ao próprio volume, mais alcalinidade a kalk consegue entregar. Um sistema que evapora 1 % do volume por dia tem teto de 1,17 °dKH por dia. Um que evapora 3 % tem teto de 3,5. Não há ajuste de dosagem que passe disso.
Por que dissolver mais pó não ajuda. O hidróxido de cálcio satura em concentração baixa: o pó além do ponto de saturação não se dissolve — decanta como lama branca no fundo do reservatório. Colocar mais pó não concentra a solução, só cria sedimento. E é essa lama o perigo real do método, porque uma bomba pode empurrá-la para dentro do aquário de uma vez.
O teto muda com o clima, e essa é a parte que pega as pessoas
O teto é a evaporação — e evaporação cai em dia úmido, em dia frio, e quando você põe tampa. Um sistema que fecha a conta em janeiro pode não fechar em julho, sem que nada no aquário tenha mudado. A alcalinidade começa a cair, o aquarista procura o que quebrou, e não quebrou nada: o teto se mexeu.
É por isso que esta página trata sobra pequena de teto como aperto, e não como folga. Método que só funciona no verão é método que vai falhar, e o momento em que falha é o momento em que ninguém está procurando por isso.
O que a conta NÃO cobre
A velocidade da dose, que é limitada pelo pH. Kalkwasser saturado tem pH próximo de 12,4 — despejar a dose do dia de uma vez sobe o pH do sistema num salto. A prática consagrada é gotejar, e à noite, quando o pH está no mínimo do ciclo diário. A conta acima é da quantidade por dia, não do ritmo dentro do dia, e o ritmo é onde o acidente acontece.
O consumo, que é seu e se mede. O campo de consumo diário não tem valor padrão que sirva: meça a alcalinidade em dois dias seguidos sem dosar, e a diferença é o consumo. Chutar esse número aqui invalida o veredito inteiro.
E ela não escolhe o método por você. Quando a kalk não cobre, a resposta não é "abandone a kalk": é somar um segundo método para a diferença. A dosagem Balling faz a conta do outro lado, e a calculadora de custo por dKH compara os dois em reais.
Perguntas frequentes
Por que o kalkwasser tem um teto?
Porque ele entra no aquário como água de reposição. Você só pode repor o que evaporou — se o sistema evapora três litros por dia, três litros de kalk saturado é a dose máxima, e nenhum ajuste contorna isso. Dosar mais exigiria adicionar água que o sistema não perdeu, o que baixaria a salinidade.
Posso dissolver mais pó para passar do teto?
Não. O hidróxido de cálcio satura em concentração baixa: o pó além do ponto de saturação não se dissolve, decanta como lama branca no fundo. Colocar mais pó não concentra a solução, só cria sedimento — e essa lama é o perigo real do método, porque uma bomba pode empurrá-la para dentro do aquário.
O teto do kalkwasser muda com o tempo?
Muda, e com o clima. O teto é a evaporação, e a evaporação cai em dia úmido ou frio. Um sistema que fecha a conta no verão pode não fechar no inverno, sem que nada no aquário tenha mudado. Por isso a página trata como aperto qualquer sobra pequena de teto.
Kalkwasser é balanceado?
Sim, e essa é a virtude química dele. Cada unidade de alcalinidade vem acompanhada de 7,15 mg/L de cálcio, que é exatamente a proporção em que a calcificação consome os dois. Não é coincidência: sai da estequiometria do carbonato de cálcio.
De onde vêm os números
Aqui há uma escolha de fonte que vale explicar, porque a fonte canônica se contradiz.
O número que usamos é volumétrico e fecha. Randy Holmes-Farley, no artigo How to Select a Calcium and Alkalinity Supplementation Scheme, dá a equivalência "o equivalente a adicionar 1,2 % do volume do tanque em limewater saturado" para uma elevação de 0,5 meq/L de alcalinidade. Daí sai tudo: 0,5 ÷ 0,012 = 41,7 meq/L de alcalinidade no kalk saturado, que com a equivalência da casa (1 °dKH = 0,357 meq/L, a mesma da calculadora de custo por dKH) dá 117 °dKH por litro. Convertido em pó, isso é 1,54 g de hidróxido de cálcio por litro — dentro da faixa física de solubilidade do composto, que é a checagem que importa.
E o número que NÃO fecha está na mesma frase. A frase continua "ou 14 gramas de hidróxido de cálcio em um tanque de 100 galões" — e 14 g de Ca(OH)₂ são 378 meq, que em 378,5 L dão 1,0 meq/L, o dobro dos 0,5 meq/L declarados. Uma das duas metades da frase está errada por duas vezes. Ficamos com a volumétrica, por dois motivos: ela é a que fecha com a solubilidade física do hidróxido, e ela é a que reproduz o cenário de referência do nosso próprio guia.
A checagem que fecha o círculo. O guia de kalkwasser publica que, com evaporação de 1 % do volume por dia e todo o top-off feito de kalk saturado, o método repõe ~1,1 °dKH e ~8 ppm de Ca por dia. Ponha 1 % na conta acima: ela devolve 1,17 °dKH e 8,3 ppm. Guia e calculadora chegam ao mesmo lugar por caminhos diferentes, e é isso que dá confiança no 117.
A proporção cálcio–alcalinidade é estequiometria, não medição. Carbonato de cálcio deposita um mol de cálcio (40,08 g) por dois equivalentes de alcalinidade; um equivalente carrega, portanto, 20,04 mg de cálcio, e um °dKH (0,357 meq) carrega 7,15 mg/L. Você refaz com uma tabela periódica.
O que NÃO usamos, e por quê. A solubilidade do hidróxido de cálcio em g/L aparece na literatura com uma dispersão grande — encontramos valores de 0,5 a 1,9 g/L citados como "a 25 °C", uma faixa de quase quatro vezes, sem contar que a solubilidade do composto cai com o aumento da temperatura, ao contrário da maioria dos sais. Por isso a página não pede nem publica g/L: ela trabalha com a razão volumétrica, que é a que a fonte fecha e a que o aquarista de fato controla. O campo de saturação (%) existe justamente para quem sabe que a sua solução não está saturada — pó velho, água morna ou frasco aberto ao ar entregam menos que o teto.
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