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aquacalcGuias › Tríade do reef

Alcalinidade, cálcio e magnésio: como a tríade funciona de verdade

Atualizado em 29 de agosto de 2026 · leitura de 8 min

Três recipientes de dosagem transparentes ligados por mangueiras finas a uma bomba dosadora, sobre um aquário marinho

Todo reefer vive a mesma cena em algum momento: a alcalinidade caindo teste após teste, doses cada vez maiores, e o número que não segura. Quase sempre o culpado não está no frasco de alcalinidade — está no terceiro número, aquele que muita gente testa uma vez por ano. A tríade alcalinidade–cálcio–magnésio é um sistema único, consumido numa proporção conhecida e estabilizado por um mecanismo químico específico. Entendido o sistema, a dosagem vira aritmética.

Resumo rápido

Faixas (Randy Holmes-Farley): alcalinidade 7–11 dKH, cálcio 400–550 ppm, magnésio 1250–1400 ppm. A calcificação consome ~20 ppm de Ca para cada 2,8 dKH — a razão "balanceada". O magnésio segura a precipitação: sem ele, Ca e alcalinidade somem juntos do teste. Reposição: kalkwasser cobre até ~1 dKH/dia e é o mais barato; two-part/balling não tem limite mas eleva a salinidade ~29% ao ano em dose típica; reator de cálcio é o mais barato por dose em tanque grande, com equipamento caro e pH para baixo. Correção de Mg: no máximo 100 ppm/dia.

Os três números e suas faixas

A referência do hobby para os alvos é o químico Randy Holmes-Farley, e vale ver os números ao lado dos da água do mar natural:

ParâmetroAlvo reef (RHF)Água do mar natural
Alcalinidade7–11 dKH~7 dKH (2,5 meq/L)
Cálcio400–550 ppm410–420 ppm
Magnésio1250–1400 ppm1280–1285 ppm

Uma divergência honesta, interna ao próprio autor: o artigo de magnésio do RHF na Advanced Aquarist recomenda a faixa mais estreita de 1250–1350 ppm, enquanto o artigo de parâmetros ótimos aceita até 1400. Na prática, mirar 1300 atende os dois. Os alvos do aquacalc para o tipo reef (8–11 dKH, Ca 400–450, Mg 1250–1350) vivem dentro dessas faixas — e a lição que os acompanha é a mesma de sempre: escolha um ponto e mantenha-o estável, em vez de perseguir o teto.

A razão de consumo: 20 ppm de Ca para cada 2,8 dKH

Coral duro constrói esqueleto de carbonato de cálcio (CaCO3) tirando da água íons de cálcio e alcalinidade ao mesmo tempo. Holmes-Farley quantifica: a calcificação consome ~20 ppm de cálcio para cada 2,8 dKH (1 meq/L) de alcalinidade. Essa é a razão "balanceada", e é ela que explica o fenômeno que confunde todo iniciante: a alcalinidade parece cair sozinha. Não cai — o estoque de cálcio (400+ ppm) é enorme perto do consumo, enquanto o estoque inteiro de alcalinidade são meros 7–11 dKH. O mesmo crescimento que desloca o teste de dKH em uma semana leva um mês para aparecer no teste de Ca.

O mundo real desvia um pouco do balanceado, e o RHF lista os desvios: quando algas coralinas dominam a calcificação, elas incorporam ~4% de magnésio no esqueleto e o consumo de cálcio cai para ~16,7 ppm por 2,8 dKH; o ciclo do nitrogênio gera ácido e consome alcalinidade sem tocar no cálcio; e os aditivos comerciais seguem a razão balanceada de propósito — ESV B-Ionic entrega 19,3 ppm de Ca por 2,8 dKH, Tropic Marin All For Reef, 20,1. A regra prática do RHF sai daí: use métodos balanceados e os dois números andam juntos por definição.

Magnésio: o guarda-costas da tríade

A água do reef está supersaturada de cálcio e carbonato — pelas regras da química pura, CaCO3 deveria precipitar espontaneamente e os dois números deveriam despencar juntos. Não despencam por causa do magnésio, e o mecanismo é elegante: o Mg é atraído para a superfície dos cristais de CaCO3 em crescimento e a "envenena", formando calcita magnesiana que trava o crescimento do cristal; de quebra, forma pares iônicos com o carbonato, reduzindo o carbonato livre. Resultado medido: sem magnésio, a precipitação abiótica ocorre em minutos; no nível natural, leva centenas de horas.

Daí o sintoma clássico: com Mg baixo, é impossível segurar cálcio e alcalinidade — você dosa, precipita, o teste cai, você dosa de novo. Antes de aumentar qualquer dose da dupla, teste o magnésio. A correção tem regras: subir no máximo 100 ppm por dia; suplementos são ~8% de Mg em peso (o pó rende menos do que parece); e sal de Epsom (MgSO4) é barato mas enriquece a água de sulfato com uso repetido — para correção grande, prefira misturas dedicadas.

Erro comum Tratar o teste de magnésio como anual porque "ele quase não mexe". O consumo de Mg é lento mesmo — mas é justamente por isso que a queda passa despercebida até virar a causa invisível da alcalinidade instável. Num reef com dosagem ativa, Mg mensal é o mínimo.

Quando cada método de reposição compensa

Os três caminhos clássicos, com os números do comparativo do RHF:

MétodoCapacidadeCustoEfeito no pH
Kalkwasseraté ~1,1 dKH/dia (limitado pela evaporação de ~1%/dia)~US$0,10 por +2 dKH em 100 galSobe
Two-part / ballingSem limite prático~US$0,12–0,25 por +2 dKH (DIY balling ~US$0,06–0,32)Sobe (hidróxido/carbonato) ou neutro
Reator de cálcioAlta, contínua~US$0,04/dose de material; equipamento US$750–1100Desce (injeta CO2)

A lógica de escolha sai do consumo diário de dKH. Consumo baixo (até ~1 dKH/dia): kalkwasser cobre tudo sozinho, pelo menor custo de material do hobby, com o bônus de sustentar o pH — o guia de kalkwasser é inteiro sobre ele. Consumo médio: two-part ou balling em bomba dosadora, flexível e escalável; o preço escondido é que dosar 1,1 dKH/dia eleva a salinidade ~29% ao ano (o resíduo é NaCl), que precisa sair via trocas de água. Consumo alto, tanque grande de SPS: o reator de cálcio vence no custo por dose, ao preço de um setup caro (cilindro de CO2, reator, controlador) e de pH puxado para baixo — e a combinação clássica dos sistemas de alta demanda é reator para o volume + kalkwasser para segurar o pH. Os one-part orgânicos (All For Reef) simplificam, com a ressalva de que a alcalinidade só aparece no teste 24–48 h depois, após metabolização, e overdose consome oxigênio.

Na prática: medir consumo, depois dosar

A ordem certa é sempre a mesma: estabilize o magnésio, meça o consumo real de alcalinidade (teste diário na mesma hora, alguns dias sem dosar nada), e então dimensione o método. A calculadora de balling converte consumo em dose; a calculadora de custo por dKH compara o preço real dos sais e produtos disponíveis no Brasil; os guias de dosagem balling e suplementação descem aos detalhes de execução. E registre os três números no Pulso: a tríade é um sistema — a curva dos três juntos conta uma história que nenhum teste isolado conta.

Perguntas frequentes

Qual a faixa ideal de alcalinidade, cálcio e magnésio no reef?

As faixas de Randy Holmes-Farley: alcalinidade 7–11 dKH, cálcio 400–550 ppm e magnésio 1250–1400 ppm (o artigo dele específico de magnésio estreita para 1250–1350). Para comparação, a água do mar natural fica em ~7 dKH, 410–420 ppm de Ca e ~1285 ppm de Mg. Mais importante que o ponto exato é escolher um valor dentro da faixa e mantê-lo estável.

Por que a alcalinidade cai mais rápido que o cálcio?

Ela não cai mais rápido — cai junto, mas em escalas diferentes. A calcificação consome ~20 ppm de cálcio para cada 2,8 dKH. Como o estoque de cálcio na água (400+ ppm) é enorme perto do consumo, e a alcalinidade inteira é de apenas 7–11 dKH, o mesmo crescimento de coral desloca o teste de alcalinidade muito antes de o teste de cálcio se mexer. Por isso a alcalinidade se testa toda semana e é o melhor termômetro de consumo.

O que acontece se o magnésio ficar baixo?

Fica impossível segurar cálcio e alcalinidade: os dois precipitam juntos como carbonato de cálcio e os testes caem sem parar, por mais que você dose. O magnésio é quem envenena a superfície dos cristais de CaCO3 em formação e retarda essa precipitação de minutos para centenas de horas. A correção tem teto: no máximo 100 ppm de magnésio por dia.

Qual método de reposição escolher: two-part, kalkwasser ou reator?

Depende do consumo diário de alcalinidade. Kalkwasser cobre até ~1 dKH/dia (o limite é a evaporação) e é o mais barato. Two-part/balling não tem limite prático e é flexível, mas eleva a salinidade ao longo do ano. Reator de cálcio tem o menor custo por dose em tanque grande, porém equipamento caro e tendência de derrubar o pH. A combinação clássica de alta demanda é kalkwasser + reator.

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O que do catálogo repõe a tríade?

Suplemento repõe cálcio, alcalinidade e magnésio na velocidade em que o coral consome. Sem teste você está dosando às cegas: a tríade só faz sentido medida, e dosar sem medir é como corrigir algo que você não sabe se está errado. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

Fontes deste guia

De onde vêm os números

As três faixas são de Randy Holmes-Farley — parâmetros ótimos para um aquário de recife: alcalinidade 7–11 dKH, cálcio 400–550 ppm, magnésio 1250–1400 ppm. A página as atribui a ele no corpo, e aqui fica o link.

A razão "balanceada" é estequiometria, não regra de bolso. A calcificação consome cerca de 20 ppm de cálcio para cada 2,8 dKH porque o carbonato de cálcio deposita um mol de cálcio por dois equivalentes de alcalinidade — a mesma conta que dá os 7,15 mg/L de Ca por °dKH que a calculadora do teto do kalkwasser publica. Você refaz com uma tabela periódica; a derivação está em Randy Holmes-Farley — Solving Calcium and Alkalinity Problems.

E o caso em que a razão não fecha tem fonte própria: Randy Holmes-Farley — quando cálcio e alcalinidade NÃO se equilibram explica por que consumo de cálcio e de alcalinidade podem divergir sem que o teste esteja errado.

O papel do magnésio — segurar a precipitação e permitir que os outros dois se mantenham altos — é mecanismo químico consolidado, e a página o descreve sem lhe atribuir número próprio, porque a faixa é a única coisa que a fonte publica.