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Aquaponia: quantos peixes cabem na sua bancada de cultivo

O número que liga peixe e planta não é o tamanho do tanque nem a quantidade de peixes: é quanta ração entra no sistema por dia. A ração vira nitrogênio, o nitrogênio vira alface — o peixe é o caminho, não a origem. Esta página faz essa conta nos dois sentidos, e mostra uma coisa que quase ninguém publica: as fontes discordam por até quatro vezes, e a brasileira é a mais baixa de todas.

O que você já tem

As três taxas — e é aqui que as fontes brigam

O sistema que fecha

Esta conta é do sistema em REGIME, não da partida. Sistema novo precisa ciclar — a colônia de bactérias que transforma amônia em nitrato leva semanas para se formar, e durante esse tempo a ração entra bem abaixo do que a conta devolve. A calculadora de ciclagem e o guia de amônia e nitrito são os mesmos do aquário: a química não muda por haver alface em cima.

Como calculamos

Três passos, e cada um é uma regra de três. A cadeia é sempre a mesma; o que muda é por qual ponta você entra.

Da bancada para o peixe: área × taxa por m² = ração por dia. Ração por dia ÷ taxa de arraçoamento = biomassa de peixe. Biomassa ÷ densidade = volume do tanque.

Do tanque para a bancada: volume × densidade = biomassa. Biomassa × taxa de arraçoamento = ração por dia. Ração por dia ÷ taxa por m² = área que essa ração sustenta.

Por que a ração é o eixo, e não o peixe. A planta não come peixe: come o nitrogênio que sai da ração pela brânquia e pelas fezes. Dois sistemas com a mesma biomassa e rações diferentes alimentam áreas diferentes — e é por isso que toda a literatura de projeto expressa a relação em gramas de ração por metro quadrado por dia, não em peixes por planta.

As fontes discordam por quatro vezes, e isso é informação

Este é o ponto em que a maioria do material disponível escolhe um número e some com os outros. Nós publicamos os quatro:

25 a 40 g/m²/diaEmbrapa, medido em sistemas no Brasil. É o padrão desta página.
40 a 50 g/m²/diaFAO 589, para folhosas (alface, rúcula, manjericão).
50 a 80 g/m²/diaFAO 589, para frutíferas (tomate, pimentão, pepino) — que comem mais.
60 a 100 g/m²/diaFaixa tradicional, de sistemas de balsa em clima temperado.

Da menor à maior há quatro vezes de diferença, e nenhuma delas está errada: elas medem sistemas diferentes, com culturas, climas e densidades de plantio diferentes. O que seria errado é publicar uma e calar sobre as outras — a mesma bancada, com a faixa tradicional, pede quase o triplo de peixe que com a faixa brasileira.

Por que o padrão desta página é a faixa brasileira. Porque foi medida aqui, com o nosso clima e as nossas culturas, e porque é a mais conservadora — e na aquaponia a direção do erro não é simétrica.

Errar para menos custa uma semana; errar para mais custa o peixe

Ração de menos deixa a planta amarela e o crescimento lento. Você percebe olhando, e o conserto é acrescentar peixe ou aumentar a ração — dias, não semanas.

Ração de mais é outra história. O nitrogênio entra mais rápido do que a planta consome, a amônia sobe antes que a colônia de bactérias acompanhe, e quem paga é o peixe. Um sistema pequeno não tem inércia para absorver esse erro.

Daí a regra que a página devolve: comece pela ponta baixa da faixa e suba observando a planta, não a tabela. O sistema conta antes de qualquer fonte.

O que a conta NÃO decide

A espécie e a temperatura. A taxa de 1,5 % do peso vivo por dia é média — ela varia com a espécie, com o tamanho do peixe e principalmente com a temperatura da água. Peixe frio come menos, e um sistema no inverno não é o mesmo sistema de janeiro.

A química que a planta precisa e o peixe não fornece. Aquaponia é cronicamente pobre em ferro, e em geral em potássio e cálcio — a ração não traz esses elementos em quantidade suficiente, e a correção é suplementação, não mais peixe. Nenhuma conta de área resolve isso.

O pH, que é um compromisso desconfortável. As bactérias querem 7,0 a 8,0; as plantas, 5,5 a 6,5; os peixes, 7,0 a 9,0. Não existe valor que agrade aos três, e a prática brasileira publicada é ficar entre 6,5 e 7,0 — ruim para todo mundo e péssimo para ninguém. A página de pH e KH explica o mecanismo.

E ela não é uma conta de aquário. Densidade de peixe em aquaponia é decisão de produção, com filtragem e aeração dimensionadas para ela — não é a lotação de um aquário ornamental, que responde a outra pergunta e com outros critérios.

Perguntas frequentes

Qual é o número que liga peixe e planta na aquaponia?

É a ração diária por metro quadrado de cultivo. Não é o volume do tanque nem a quantidade de peixes: é quanta ração entra no sistema por dia, porque é a ração que vira nitrogênio para a planta. Peixe é só o caminho. Por isso a conta parte da ração e chega na biomassa depois.

Por que as fontes dão números tão diferentes?

Porque medem sistemas diferentes. A faixa tradicional de 60 a 100 g por metro quadrado por dia vem de sistemas de balsa em clima temperado. A FAO publica 40 a 50 para folhosas e 50 a 80 para frutíferas. E a Embrapa, medindo no Brasil, chegou a 25 a 40 g. A diferença entre a menor e a maior chega a quatro vezes, e isso é informação, não ruído.

Errar para mais ou para menos, qual é pior?

Para mais. Ração a menos deixa a planta amarela e se corrige acrescentando peixe ou ração em dias. Ração a mais acumula amônia e nitrato mais rápido do que a planta consome, e o preço é o peixe. Por isso a recomendação é começar pela faixa baixa e subir observando a planta.

Esta conta serve para começar o sistema?

Não. Ela dimensiona o sistema em regime, com a colônia de bactérias já formada. Sistema novo precisa ciclar antes, e durante a ciclagem a ração entra bem abaixo do que esta conta devolve. A ciclagem é a mesma do aquário, e tem calculadora própria no site.

De onde vêm os números

A cadeia é aritmética e você refaz no papel — área × taxa, ração ÷ percentual, biomassa ÷ densidade. Nenhum coeficiente empírico nosso entra aqui. O que tem fonte são as três taxas, e cada uma vem de um lugar diferente.

A faixa brasileira, que é o nosso padrão. A Embrapa, no documento Produção Integrada de Peixes e Vegetais em Aquaponia, registra que a faixa tradicional é de "60 g a 100 g de ração fornecidos diariamente" por m², e que as pesquisas do laboratório deles chegaram a "aproximadamente 25 g/dia/m² a 40 g/dia/m²". O mesmo documento traz o exemplo fechado que esta página reproduz: "10 kg de peixes consomem em torno de 150 g de ração por dia, o que possibilita o cultivo de vegetais em área de aproximadamente 6 m² com pés de alface ou 4 m² com tomateiros", e a média de arraçoamento de 1,5 % do peso vivo ao dia. Ponha 6 m² e a faixa da Embrapa na conta acima e ela devolve exatamente esses 150 g e esses 10 kg — não porque copiamos, mas porque a cadeia é a mesma.

As faixas da FAO. O FAO Technical Paper 589, Small-scale aquaponic food production publica 40 a 50 g/m²/dia para folhosas e 50 a 80 g/m²/dia para frutíferas, com os peixes consumindo "1 a 2 % do peso corporal por dia" na engorda e densidade da ordem de 20 kg por 1.000 litros.

A densidade padrão desta página é 8 kg/m³, e é a brasileira. A Embrapa trabalha com "densidades de estocagem de peixes inferiores a 10 kg/m³" em sistemas pequenos, com exemplo entre 6 e 8 kg/m³. É menos da metade do que a FAO usa — e a diferença não é erro: densidade alta exige filtragem e aeração que sistema pequeno não costuma ter. O campo é editável de propósito.

A suplementação, que a conta não faz. A Embrapa publica, para o sistema de referência dela, manter o ferro quelado entre 0,2 e 0,5 mg/L e o potássio entre 15 e 20 mg/L, com reposição a cada 40 a 60 dias. Não transformamos isso em dose: são valores do sistema deles, com o volume deles, e virar calculadora exigiria um rendimento de produto que a fonte não publica. Fica como alvo a perseguir, não como receita.

E o que nós NÃO achamos em fonte nenhuma: uma relação publicada entre volume do tanque e volume do leito de cultivo para sistemas de leito com substrato. O FAO 589 dimensiona o separador mecânico como 10 a 30 % do tanque, e não prescreve o leito como proporção do tanque. Por isso esta página não devolve esse número — ela dimensiona por área de cultivo, que é como as fontes de projeto realmente falam. O que TEM fonte é outra coisa, e pelo mesmo eixo desta conta: o FAO 589 dimensiona o meio filtrante pela ração diária — 1 litro de brita vulcânica, ou meio litro de bioballs, por grama de ração por dia. O guia de aquaponia publica esse número e explica por que ele existe enquanto a proporção com o tanque não: o tanque não é o motor do sistema, a ração é.

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