Sintomas: como o surto aparece nos peixes
Peixes na superfície, "engolindo ar"
Guelras queimadas por amônia/nitrito não trocam oxigênio — o peixe busca a camada mais oxigenada
Respiração muito acelerada, guelras avermelhadas ou arroxeadas
Irritação química direta; no nitrito, o sangue perde capacidade de carregar oxigênio
Apatia, peixe parado no fundo, sem apetite
Intoxicação em curso
Mortes súbitas "sem explicação", uma após a outra
Clássico de surto — teste a água antes de suspeitar de doença
Primeiros socorros: as próximas 2 horas
1. Troque 30–50% da água — tratada com condicionador e na mesma temperatura do aquário. 2. Dose um condicionador que neutralize amônia (os rótulos dizem "detoxifica amônia/ammonia"): ele converte a forma tóxica por 24–48 h e segura os peixes vivos. 3. Aeração no máximo — compressor, saída do filtro agitando a superfície: guelras machucadas precisam de água saturada de oxigênio. 4. Suspenda a alimentação por 2–3 dias: cada grama de comida vira mais amônia. 5. Reteste em 4–6 horas e repita a troca enquanto amônia ou nitrito estiverem acima de zero.
Causa raiz: por que a água envenenou
Amônia vem de matéria orgânica (cocô, comida, folhas e peixes mortos) e deveria ser consumida na hora pelas bactérias do filtro, que a transformam em nitrito e depois em nitrato — o ciclo do nitrogênio. Surto significa que a produção superou a capacidade das bactérias. As causas, na ordem em que aparecem na prática:
Aquário não ciclado — peixes entraram antes de o filtro ter colônia formada (a causa nº 1, ver o guia de ciclagem). Filtro sabotado — mídia lavada em água de torneira (cloro mata as bactérias), filtro desligado horas/dias, ou troca de toda a mídia de uma vez. Peixe morto escondido — atrás de tronco ou rocha, apodrecendo há dias; conte os peixes. Excesso de comida — sobra que apodrece no fundo; sifone. Superlotação — mais peixes do que o sistema processa: confira na calculadora de lotação. Filtro pequeno — vazão insuficiente para o volume: confira na calculadora de filtragem.
Nitrito alto: o mesmo protocolo, com um reforço
O nitrito é a segunda etapa do ciclo e aparece quando a primeira colônia de bactérias já trabalha mas a segunda ainda não deu conta. O protocolo de emergência é o mesmo (trocas + aeração + jejum) com um reforço clássico: uma pitada de sal (1 g por litro já ajuda) bloqueia a absorção do nitrito pelas guelras. Use a calculadora de sal para a dose — e confira antes se suas espécies toleram sal: coridoras, camarões e peixes sem escama pedem metade da dose ou nenhuma.
Depois do surto: garantir que não volta
Zerou? Volte a alimentar aos poucos (1× ao dia, pouco), teste diariamente por uma semana e corrija a causa identificada. Se o aquário não era ciclado, a colônia está se formando agora — os testes diários registrados na análise mostram o ciclo completando: amônia zera, nitrito sobe e zera, nitrato aparece. Só então aumente a rotina normal.
Perguntas frequentes
Qual nível de amônia é perigoso no aquário?
Qualquer amônia detectável já é sinal de problema — o alvo é zero. Mas a toxicidade real depende do pH e da temperatura: o teste mede a amônia total (NH3+NH4), e a fração realmente tóxica (NH3) cresce muito em água alcalina e quente. O mesmo 0,5 ppm pode ser tolerável em pH 6,5 e letal em pH 8,2. O Pulso do aquacalc calcula essa fração tóxica automaticamente a partir do seu pH e temperatura.
Posso trocar toda a água do aquário durante o surto?
Não. Troca de 100% causa choque de parâmetros nos peixes já debilitados e não acelera a solução. O protocolo é trocar 30–50% com água tratada e na mesma temperatura, retestar em algumas horas e repetir a troca quantas vezes for preciso até amônia e nitrito caírem. Várias trocas parciais são mais seguras e mais eficazes que uma troca total.
O condicionador neutralizador resolve o surto de amônia?
Ele ganha tempo, não resolve. Condicionadores que neutralizam amônia convertem a forma tóxica em uma forma inofensiva por cerca de 24 a 48 horas — os peixes param de se intoxicar, mas a amônia continua lá e o teste continua acusando. É um socorro para segurar os peixes vivos enquanto as trocas de água e as bactérias do filtro fazem o trabalho de verdade.
Quanto tempo leva para amônia e nitrito zerarem?
Depende da causa. Se foi um evento pontual (peixe morto removido, excesso de comida sifonado), alguns dias de trocas e testes diários resolvem. Se o aquário não é ciclado ou o filtro perdeu as bactérias, o sistema precisa refazer a colônia — de 2 a 6 semanas, com trocas frequentes e paciência. Registrar os testes diariamente mostra a curva caindo e evita medidas desesperadas.
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Existe produto que ajuda num surto de amônia?
Ajuda, mas não substitui o que está acima. A troca parcial de água é o que REMOVE a amônia; o neutralizador só converte a forma tóxica por 24–48 h para os peixes aguentarem enquanto você troca. Quem não trocar água vai só adiar o problema com o teste continuando alto. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.
De onde vêm os números
A fração tóxica da amônia é equação, não regra de bolso. O que mata é a amônia não ionizada (NH₃), e a fração dela depende de pH e temperatura pelo equilíbrio de Emerson. O site publica essa conta na calculadora de amônia tóxica, com o pK derivado da referência do USGS — métodos de alcalinidade (o pK₁ que a conta usa) — a mesma base que a calculadora de CO₂ usa do outro lado do mesmo equilíbrio.
A consequência prática é contraintuitiva e é o ponto desta página: o mesmo 1 ppm de amônia total é quase inofensivo a pH 6,5 e perigoso a pH 8,2. Por isso não existe "valor seguro de amônia" sem o pH junto — e por isso subir o pH durante um pico de amônia é o pior movimento possível.
O quadro clínico — o que o peixe mostra em intoxicação por amônia e por nitrito — segue o Merck Veterinary Manual.
O que é convenção declarada: os prazos de ciclagem citados. Eles variam com temperatura, mídia e semeadura, e a página dá faixa em vez de data.