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O armário de remédios do aquarista: o que cada princípio ativo faz

Atualizado em 29 de agosto de 2026 · leitura de 9 min

Frascos âmbar e brancos de tratamento enfileirados com uma seringa dosadora sobre bancada molhada, ao lado de um aquário de quarentena iluminado de azul

Metade da prateleira de remédios da loja de aquarismo é o mesmo princípio ativo com rótulo diferente — e a outra metade é veneno para o caso errado. Quem aprende a ler a composição em vez da promessa da embalagem para de comprar frasco repetido — e de matar camarão com remédio de peixe. Este guia organiza o armário por princípio ativo: contra o que cada um funciona, e o cuidado que mata.

Resumo rápido

Ectoparasita responde a sal, calor, corantes (verde malaquita, azul de metileno), formalina e cobre. Verme achatado responde a praziquantel, protozoário interno a metronidazol, bactéria a kanamicina ou neomicina — e um não substitui o outro. Três cuidados valem para o armário inteiro: invertebrados morrem com cobre e com vários frascos prontos, carvão ativado remove o remédio da água, e formalina consome o oxigênio que o peixe doente já não tem. Este guia não receita: a dose de cada tratamento mora na ficha da doença, com a fonte ao lado.

Por que pensar em princípio ativo, e não em marca

O Labcon Ictio é verde malaquita, azul de metileno e sulfato de cobre no mesmo frasco. O Seachem ParaGuard é glutaraldeído com verde malaquita. Quem olha só o nome comercial acha que são produtos diferentes; quem olha a composição vê que os dois atacam a mesma classe de alvo — ectoparasitas — e que nenhum serve para verme intestinal ou septicemia. O princípio ativo diz o que o remédio alcança; a marca, só quem o engarrafou.

Uma regra antes de qualquer frasco: este guia não dá dose. Dose errada mata o peixe que se queria salvar — cada dose mora na ficha da doença correspondente, com a fonte ao lado do número. E se o peixe adoeceu agora, o primeiro passo não é o armário: é o protocolo da primeira hora.

Sal não iodado: dois remédios num pacote só

O sal comum sem iodo é o item mais barato do armário e funciona de duas formas que não se misturam. O banho longo — concentração baixa, mantida por dias ou semanas no aquário hospital — dá suporte osmótico e combate ectoparasitas como o do íctio — o Merck descreve salinidade elevada por uma semana como tratamento, se a espécie tolerar. O dip — concentração dezenas de vezes maior, por segundos a minutos — derruba parasitas e muco da pele; a instrução crítica é retirar o peixe ao primeiro sinal de tombamento.

O cuidado que mata: coridoras, cascudos e plantas toleram mal o sal, e o sal de cozinha iodado ou com antiumectante não substitui o sal puro — e sal só sai da água com troca parcial.

Calor: o tratamento que não vem em frasco

O ciclo do parasita do íctio depende da temperatura: rápido no calor, arrastado no frio — e só a fase livre morre com químico. Elevar a temperatura encurta o ciclo; o protocolo da extensão universitária (UF IFAS/TAMU) chega a usar alternância de temperatura como tratamento em si. O preço: água quente carrega menos oxigênio — aeração forte, e nem toda espécie tolera a faixa alta. Quantos graus e por quanto tempo, na ficha do íctio.

Os corantes e o aldeído: azul de metileno, verde malaquita, formalina

Azul de metileno é o clássico para fungos e para proteger ovas — a indicação típica é a saprolégnia e a incubadora. Ele destrói as bactérias do biofiltro e mancha silicone, por isso só entra em aquário hospital ou recipiente nu.

Verde malaquita é o ectoparasiticida dos frascos anti-íctio do mundo inteiro, puro ou combinado com formalina. É também o mais delicado de manusear: cancerígeno em potencial (luvas), tóxico para tetras pequenos e peixes sem escamas em dose cheia.

Formalina aparece em duas frentes: combinada com verde malaquita contra íctio, e como banho curto que é a primeira escolha prática contra brooklynellose e uronemose no marinho — quadros que matam rápido demais para se esperar um tratamento lento. O cuidado que mata: formalina consome o oxigênio dissolvido — banho sem pedra porosa é asfixia programada, e a recomendação universitária é nunca aplicá-la sobre o biofiltro nem em água quente e mal oxigenada. Tóxica também ao aquarista: luvas e ambiente ventilado.

Cobre: o pilar do marinho — e o veneno dos invertebrados

Contra íctio marinho e veludo marinho, cobre é o tratamento de referência das fontes universitárias — e o princípio ativo com a menor margem entre dose que trata e dose que mata: medir com teste é obrigatório. Duas armadilhas documentadas: rocha viva e substrato calcário absorvem o cobre (a dose despenca, o tratamento falha), e ele é letal para todo invertebrado. No doce, o cobre vem escondido em frascos prontos como o Labcon Ictio — mesmo alerta. A versão amina (Seachem Cupramine) tem regra própria: sem condicionadores redutores durante o tratamento, e remoção final com carvão ou resina.

Os específicos: praziquantel, metronidazol, kanamicina

Aqui mora a confusão mais cara do hobby: "verme" não é tudo igual, e antibiótico não é antiparasitário.

Princípio ativoContra o quê
PraziquantelVermes achatados de pele e guelra (monogenéticos) e cestoides; seguro para a maioria dos peixes segundo o Merck
MetronidazolProtozoários flagelados internos — hexamitose/buraco na cabeça; melhor via: misturado à comida, enquanto o peixe come
KanamicinaInfecções bacterianas — columnariose, septicemia, hidropisia, exoftalmia, podridão de nadadeiras
Levamisol / fenbendazolNematoides — o verme vermelho Camallanus; metronidazol NÃO serve para nematoide

O erro em cadeia é tratar Camallanus com metronidazol (não é vermífugo) ou hexamitose com antibiótico (não é bactéria). Comece pela identificação no hub de doenças, não pelo frasco que já está em casa.

O que os frascos BR e Seachem carregam

Tradução da prateleira brasileira para princípio ativo, com a bula como fonte (o site da Alcon bloqueia acesso automatizado; as bulas foram lidas em páginas de lojistas que as reproduzem):

ProdutoO que é por dentro
Labcon IctioVerde malaquita + azul de metileno + sulfato de cobre — ectoparasitas (íctio, veludo); a bula veta uso com KH baixo e pede cautela com neons e peixes sem escamas
Labcon BacterSulfato de neomicina (antibiótico) — quadros bacterianos, em aquário hospital segundo a própria bula
Labcon AqualifeFungicida (composição não publicada pela fabricante nas páginas acessíveis) — fungo
Seachem ParaGuardGlutaraldeído + verde malaquita — ectoparasitas e lesões externas; rótulo veta invertebrados
Seachem CupramineCobre amina — íctio e veludo marinhos
Seachem KanaPlexSulfato de kanamicina — bacterianas
Seachem MetroPlexMetronidazol — flagelados internos
Seachem FocusLigante que prende o remédio à comida — permite tratar comendo, com o filtro ligado

Os três cuidados que valem para o armário inteiro

1. Invertebrados morrem primeiro. Cobre em qualquer dose terapêutica é letal para camarões, caramujos e corais; ParaGuard, KanaPlex e MetroPlex pedem a remoção deles; e o diflubenzuron usado contra piolho de peixe e verme-âncora mata todos os crustáceos do sistema. Com invertebrado no aquário, o tratamento acontece no hospital — mais um motivo para montar a quarentena.

2. Carvão ativado remove o remédio. Ele adsorve boa parte dos princípios ativos e os retira da água em horas: o peixe segue doente e a impressão é de que o remédio "não funcionou". As instruções da Seachem mandam retirar carvão e resinas antes de dosar — e o mesmo raciocínio vale para o esterilizador UV e o ozônio, que degradam moléculas na passagem. Depois do tratamento, o carvão volta justamente para limpar o resíduo.

3. Formalina rouba oxigênio. A repetição é proposital: de todos os itens do armário, é o que mais exige aeração — sobre um peixe que, doente, já respira mal.

Erro comum Tratar "no escuro" com um polivalente de amplo espectro sem identificar a doença. Amônia e nitrito altos imitam meia dúzia de doenças, e remédio nenhum trata água ruim — teste antes de medicar, identifique no identificador por sintomas, e só então abra o armário.

Antes de dosar: toda dose desta página se calcula sobre o volume LÍQUIDO — desconte substrato e rochas na calculadora de litragem, e confira amônia e nitrito no diagnóstico do Pulso antes de abrir qualquer frasco.

Perguntas frequentes

Qual remédio serve para tudo no aquário?

Nenhum. Cada princípio ativo mira um tipo de agente: praziquantel só pega verme achatado, metronidazol só protozoário flagelado, kanamicina só bactéria, cobre só ectoparasita. Um produto de amplo espectro é uma mistura de venenos — e um deles pode ser desnecessário para o seu caso e tóxico para o seu aquário. Identifique a doença primeiro; a dose com fonte está na ficha de cada doença.

Posso medicar o aquário principal em vez de usar aquário hospital?

Quase sempre não. Antibióticos como kanamicina e neomicina destroem as bactérias do biofiltro, azul de metileno faz o mesmo, cobre é absorvido pela rocha calcária e mata invertebrados por meses, e as bulas da Labcon recomendam explicitamente aquário hospital para o Bacter. As exceções são tratamentos suaves como sal em dose baixa e calor — e mesmo esses dependem das espécies presentes.

Por que o remédio não funcionou no meu aquário?

As causas mais comuns não são o remédio: carvão ativado no filtro adsorvendo o princípio ativo, esterilizador UV ligado degradando a molécula, diagnóstico errado (amônia alta imita doença) ou um parasita em fase resistente — no íctio e no veludo, só a fase livre morre com químico, por isso o tratamento precisa durar ciclos completos do parasita.

Remédio de peixe mata camarão e caramujo?

Vários matam. Cobre em qualquer forma (inclusive dentro do Labcon Ictio) é letal para invertebrados; o rótulo do Seachem ParaGuard diz que não é recomendado para aquários com invertebrados; KanaPlex e MetroPlex pedem a remoção deles; diflubenzuron mata todos os crustáceos do sistema. Antes de dosar qualquer frasco, leia a composição e tire camarões e caramujos — ou trate em aquário hospital.

Leve este guia com vocêBaixe o PDF para consultar offline, imprimir ou levar até a loja. É gratuito — pedimos só um cadastro rápido.

O que do catálogo entra no armário?

Ter o medicamento em casa é o que separa tratar no primeiro dia de correr atrás no terceiro. O que o armário não substitui é diagnóstico: remédio de amplo espectro dado no escuro trata o que o peixe não tem e atrasa o que ele tem. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

De onde vêm os números

As indicações de cada princípio ativo seguem o Merck Veterinary Manual — doenças parasitárias de peixes e o Merck Veterinary Manual — doenças bacterianas de peixes. A página lista o que cada grupo trata — e, mais importante, o que ele não trata.

As doses são de rótulo de fabricante, e a página não as converte. Medicamento é a maior responsabilidade que um site de aquarismo pode assumir: onde o rótulo manda, o rótulo vale, e onde produtos declaram grandezas diferentes (cobre ionizado contra quelado, por exemplo) trocar o número entre eles mata o peixe que se queria tratar.

É por isso que o site não tem calculadora de dose de medicamento. A única exceção que consideramos seria uma calculadora de risco — a que distância a dose terapêutica está da letal, dada a sua água —, nunca de dose.

O que é manejo: validade, armazenamento e a lista do que vale ter em casa.

E os ponteiros internos: