Pular para o conteúdo

aquacalcDoenças › Veludo marinho

Veludo marinho

Amyloodinium ocellatum — dinoflagelado · também: marine velvet, amyloodiniose, rust disease, coral fish disease

MarinhoDinoflagelado

Como reconhecer — do sinal mais característico ao menos

  • aspecto de pó/veludo branco a dourado-amarronzado (visível com luz indireta)
  • respiração muito acelerada, peixe na superfície ou junto à saída de água (piping)
  • raspagem em rochas (flashing)
  • recusa alimentar, emagrecimento
  • forma de guelra pode matar SEM nenhum sinal na pele

Não confunda com

  • Cryptocaryon (pontos brancos maiores e distintos; ao microscópio C. irritans é ciliado e móvel, A. ocellatum é marrom, piriforme e imóvel — SRAC 4705)
  • Brooklynella (muco em placas)
  • estresse/má oxigenação

O que abre a porta

Peixe novo sem quarentena; sistema 16–30 °C; tolera salinidade de 12 a 50 ppt (surtos até em 2–3 ppt) — hiposalinidade leve NÃO controla. Ciclo completo em 3–6 dias a 20 °C.

Como evolui

'Doença devastadora' — mortalidade aguda e altíssima em poucos dias, prognóstico reservado (SRAC 4705 / Merck). Uma das piores doenças do marinho.

Tratamento — o que a fonte diz, com a fonte

Nenhuma dose abaixo foi inventada: cada protocolo aponta a fonte de onde saiu. Dose se calcula sobre o volume LÍQUIDO real (desconte substrato e rochas) — a calculadora de litragem faz essa conta.

Cobre (livre, Cu2+)

Protocolo: 0,15–0,20 mg/L de cobre livre; medir 1–2x por dia
Duração: 21–30 dias (SRAC ornamentais); FA165: mínimo 10–14 dias para Amyloodinium
Segurança: Só a fase livre (dinosporo) morre — trofontes e tomontes resistem, por isso tratamento longo; margem de segurança baixa; letal a invertebrados.

Seachem Cupramine

Protocolo: 1 mL por 40 L, repetir após 48 h → 0,5 mg/L; não exceder 0,6 mg/L
Duração: 14 dias na concentração alvo
Segurança: Idem Cryptocaryon: sem invertebrados, sem redutores, testar antes de redosar.

Cloroquina difosfato (ornamentais)

Protocolo: 10 mg/L; redosar após 7–8 dias
Duração: 1–2 semanas+
Segurança: Remover com carvão ativado ao final; não usar em peixe de consumo; difícil acesso no Brasil.

Banho de água doce (dip)

Protocolo: 1 a 3 minutos (ornamentais); até 5 min em espécies eurihalinas — derruba os trofontes da pele
Duração: emergencial, não cura sozinho
Segurança: Água doce com mesmo pH/temperatura; sempre seguido de transferência para hospital com cobre/cloroquina — o dip não mata tomontes no tanque.

Peróxido de hidrogênio (aquicultura)

Protocolo: 25 mg/L por 30 minutos (H2O2 35% Perox-Aid, sistema aberto)
Duração: repetir conforme necessidade
Segurança: Protocolo de aquicultura em fluxo contínuo — não transpor às cegas para aquário fechado.

O que NÃO fazer

  • esperar 'pontos' aparecerem — a forma de guelra mata antes de qualquer sinal na pele
  • tratar no display com corais/invertebrados
  • tratamento curto (<10–14 dias) — os cistos liberam dinosporos escalonadamente
  • confiar só em banho de água doce
  • manter carvão ativado/UV ligados durante a medicação
Camarões, caramujos e corais: Cobre e cloroquina são letais para invertebrados; display precisa ficar fallow.

Prevenção

Quarentena com cobre profilático ou observação longa; SRAC: dinosporos perdem infectividade rápido após 24 h mas sobrevivem até 6 dias — fallow do display.

Sintomas parecidos, doenças diferentes

Antes de tratar, compare com Veludo / Oodínio (água doce), Íctio (doença dos pontos brancos), Íctio marinho (pontos brancos marinhos) — e use o identificador por sintomas para ordenar as 20 fichas pelo que você está vendo no aquário.

A água conta metade do diagnóstico: quase toda doença entra por água ruim ou estresse. Cadastre o aquário no Pulso e o diagnóstico confere amônia, nitrito e a faixa de cada espécie antes de você medicar.

Fontes desta ficha