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aquacalcCalculadoras › Peróxido de hidrogênio

Água oxigenada no aquário: o que a sua dose representa

Esta página não diz quanto pôr, e a razão está medida: as doses de tanque inteiro que circulam variam doze vezes entre si, a única que foi testada com controle não teve efeito nenhum, e a fonte técnica mais respeitada do aquarismo plantado não publica número. O que dá para fazer com honestidade é a conversão que ninguém faz de cabeça — de mililitros do seu frasco para miligramas por litro de H₂O₂ no seu aquário — e mostrar onde esse número cai em relação aos tetos que foram, esses sim, medidos.

1 · O frasco, o aquário e a dose

Isso dá, no tanque inteiro
Água de verdade, não a da etiqueta. Substrato, rocha e decoração deslocam água, e dosar pelo volume nominal superdosa — justamente na conta em que o erro é para o lado ruim. Se você não sabe o seu volume real, a litragem calcula pelas medidas e a volume real desconta a rocha.

2 · Onde essa concentração cai

Cada linha é um número publicado por uma fonte, não uma faixa que inventamos. Em vermelho, o que a sua dose já ultrapassou.

    A conta, e por que ela não é óbvia

    Água oxigenada de farmácia é vendida em volumes, e volume não é concentração: 10 volumes são 3%, 20 volumes são 6%, 40 volumes são 12%. A escala nasceu de quanto gás oxigênio um mililitro da solução libera ao se decompor — 10 mL de O₂ por mL, daí o nome —, e é a razão de o mesmo "um tampinha" significar coisas diferentes conforme o frasco.

    Uma solução a 3% tem 3 gramas de H₂O₂ em 100 mL, ou seja 30 miligramas por mililitro. Daí a conta inteira: mg/L = mL × % × 10 ÷ litros. Um mililitro de 3% em dez galões (37,9 L) dá 0,8 mg/L — que é exatamente o "cerca de 1 ppm" que a literatura de aquarismo chama de dose padrão, e é bom sinal que a conta reencontre o número da fonte por outro caminho.

    As doses que circulam, convertidas para a mesma unidade

    Este é o achado que motivou a página. Posto na mesma régua, o que se recomenda por aí não é uma faixa — é uma dispersão:

    FonteO que ela recomendaEm mg/L
    Reef2Reef — dose testada em ensaio controlado1 mL de 3% / 10 gal0,8
    aquariofilia.net (fórum BR)6 mL de 3% / 100 L1,8
    Aquasabi — cianobactéria8 a 15 mL de 3% / 50 L4,8 – 9,0
    bulkperoxide — dose e teto1 a 1,5 mL de 3% / galão7,9 – 11,9
    Aquasabi — algas verdes25 a 35 mL de 3% / 50 L15,0 – 21,0
    UKAPSnão dosar o tanque inteiro
    The 2Hr Aquaristdescreve o método, não publica mL/L

    Do menor ao maior número há um fator de doze. Duas fontes não dão número nenhum, e uma delas é a que o aquarismo plantado mais leva a sério. Não existe consenso a ser resumido aqui: escolher um valor no meio seria inventar a média de opiniões e apresentá-la como medida.

    E a ponta de baixo dessa faixa já foi testada

    Um aquarista do Reef2Reef cultivou alga-cabelo-verde em placas e aplicou a dose mais citada de todas, 1 mL de 3% por 10 galões. O relato da inspeção do sétimo dia: "a visual and microscopic examination on day 7 revealed no apparent effect" — nenhum efeito aparente. A hipótese do próprio autor é que a alga (ou o que vive nos filamentos dela) destrói o peróxido rápido demais para que ele chegue a fazer dano.

    Isso deixa a página com uma conclusão desconfortável e honesta: a dose baixa pode não funcionar e a dose alta passa do teto do camarão. Uma faixa que seja ao mesmo tempo eficaz e segura para o tanque inteiro não está demonstrada em lugar nenhum que tenhamos conseguido abrir.

    Os tetos, e de onde cada um vem

    Camarão — 5 e 10 mg/L. Um estudo da Murray State University em viveiro de camarão de água doce achou a concentração máxima segura em torno de 5 mg/L para pós-larvas e 10 mg/L para juvenis mais desenvolvidos, e conclui que "concentrações maiores que 10 mg/L não devem ser usadas". Ressalva declarada: é Macrobrachium de produção, não neocaridina de aquário — é o dado mais próximo que existe, não o dado exato.

    Peixe — 50 e 75 mg/L são dose de REMÉDIO, não teto. O rótulo do 35% PEROX-AID aprovado pelo FDA trata columnaris a 50 mg/L e saprolegniose a 75 mg/L, em banhos de 60 minutos. Ou seja: concentrações que em aquário soariam absurdas são, em aquicultura, tratamento deliberado e supervisionado — com aeração, tempo contado e peixe observado.

    Mortalidade — 238 e 460 mg/L. A ficha FA157 da extensão da Universidade da Flórida registra 50% de mortalidade em bagre-do-canal após três horas a 238 mg/L, e em bluegill a 460 mg/L. A mesma ficha cita traíra e esturjão como espécies em que o uso não é recomendado, e pintado como caso de cautela.

    Quanto tempo ele fica na água

    Pouco, e isso muda a leitura de tudo acima. A FA157 mede: concentrações iniciais de 10 e 100 mg/L em água de tanque "não eram mais mensuráveis depois de 2 a 3 dias na presença de aeração e/ou matéria orgânica". Em água parada, a queda é bem mais lenta — metade no sexto dia, indetectável no décimo. Luz, pH alto e matéria orgânica aceleram a decomposição. É por isso que a mesma dose em dois aquários diferentes não entrega a mesma exposição: o que mata alga não é o número no momento da aplicação, é a área embaixo da curva, e essa curva depende do seu tanque.

    O que esta página NÃO faz, e é melhor dizer

    Não recomenda dose. Ela converte a sua para mg/L e mostra a régua. A decisão continua sendo sua, e agora com o número na mão em vez do "uma tampinha".

    Não trata da aplicação localizada com seringa — o método de pingar peróxido direto sobre a alga com a bomba desligada. É a prática que menos fontes contestam, mas as que a descrevem discordam do tempo de exposição (de 10-15 minutos a meia hora) e nenhuma delas é fonte de autoridade. Uma página de dose localizada precisa de fonte melhor que thread de fórum.

    Não usa os limiares do estudo do USGS de 1999, e a razão é específica: o resumo publica "≤150 µL/L", "≤100 µL/L" e "≤50 µL/L" sem dizer de que substância — do produto a 35% ou do H₂O₂ ativo. A diferença entre as duas leituras é de cerca de três vezes, e não conseguimos abrir a seção de métodos que resolveria isso. Número cuja unidade não se sabe não entra em régua de segurança; fica citado aqui para quem tiver acesso ao texto completo.

    Não sabe o que tem no seu frasco além do peróxido. Água oxigenada de farmácia leva estabilizantes que o fabricante não é obrigado a identificar, e as versões "cremosa" ou de salão levam aditivos declaradamente não aquáticos. Não achamos nenhuma fonte de aquarismo tratando disso — é lacuna, não é aval.

    Perguntas frequentes

    Quantos mL de água oxigenada de 10 volumes por litro de aquário?

    Não temos uma resposta para dar, e isso é a resposta. As fontes que publicam número vão de 0,06 a 0,7 mL por litro — um fator de doze — e as duas fontes técnicas mais respeitadas ou desaconselham dosar o tanque inteiro ou não publicam mL/L. O que esta página faz é converter a dose que você estiver considerando em mg/L e mostrar onde ela cai nos tetos medidos.

    10, 20 e 40 volumes: dá na mesma se eu ajustar a quantidade?

    Na concentração final, sim — 1 mL de 20 volumes entrega o mesmo que 2 mL de 10 volumes. Mas o erro de medida pesa o dobro: com o frasco mais forte, meio mililitro a mais vira um erro duas vezes maior no aquário. Para dose pequena, frasco fraco e seringa graduada erram menos.

    Mata camarão?

    O único estudo controlado que achamos é de camarão de viveiro, não de aquário, e põe o teto em 5 mg/L para pós-larvas e 10 mg/L para juvenis, com a recomendação explícita de não passar de 10. Boa parte das doses de tanque inteiro que circulam no aquarismo fica acima disso. Há também relatos de morte de camarão marinho durante a noite após aplicação localizada, associados à muda — são relatos, não estudo.

    Funciona contra que tipo de alga?

    Cianobactéria é a que mais consistentemente aparece como responsiva nas fontes. Contra alga filamentosa a evidência é conflitante, incluindo um ensaio controlado em que a dose mais citada não teve efeito nenhum em sete dias. Contra barba-negra, a fonte que descreve o método a classifica como menos eficaz que os algicidas comerciais.

    E o filtro biológico?

    As fontes de aquarismo alertam que superdose pode derrubar as bactérias nitrificantes e reiniciar a ciclagem. Não achamos estudo com a concentração em que isso acontece — é um risco documentado sem número, e está dito assim de propósito.

    De onde vêm os números

    Os tetos e a degradação. Ficha FA157 da extensão da Universidade da Flórida (UF/IFAS) — mortalidade em bagre-do-canal e bluegill, espécies sensíveis, e as medições de permanência do peróxido na água.

    As doses terapêuticas aprovadas. Rótulo do 35% PEROX-AID® no DailyMed (FDA), que expressa a dose em mg/L de H₂O₂ ativo — a mesma unidade que esta página calcula — e publica a fórmula de conversão a partir do produto concentrado.

    O teto do camarão. Pôster de pesquisa da Murray State University sobre concentrações seguras de H₂O₂ em viveiro de camarão de água doce.

    As doses de aquarismo e o ensaio. Aquasabi, UKAPS, The 2Hr Aquarist e o ensaio em placas do Reef2Reef. As três primeiras entram como recomendação de fonte de aquarismo, não como medida; a quarta é o único teste com controle que encontramos.

    A equivalência volumes ↔ porcentagem. Convenção química padrão: uma solução de X volumes libera X mL de O₂ por mL de solução ao se decompor, o que põe 10 volumes em 3%, 20 em 6% e 40 em 12%.

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