Diagnóstico rápido: qual alga é a sua?
Prefere ver tudo de uma vez? A tabela abaixo resume os cinco tipos.
Pó/camada marrom em vidro, folhas e substrato, sai com o dedo
Diatomácea · aquário com menos de 2–3 meses
Fios verdes longos ou penugem verde presa em plantas e decoração
Filamentosa · luz em excesso (intensidade ou horas)
Tufos curtos, duros, cinza-escuros/pretos nas bordas de folhas, troncos e equipamentos
Alga peteca / barba preta (BBA) · CO2 mal regulado, fluxo mal distribuído e matéria orgânica
Película ou pontos verdes no vidro
Alga verde de vidro/ponto · normal em pequena quantidade; excesso indica luz alta com fosfato desequilibrado
Manta lisa azul-esverdeada sobre substrato/plantas, cheiro forte de terra, solta em placas
Cianobactéria · circulação parada + matéria orgânica; tecnicamente uma bactéria, não alga
Primeiros socorros: o que fazer hoje
Antes de qualquer produto: remova o grosso manualmente (enrole filamentosa num palito, sifone a manta de ciano junto com a camada superficial do substrato, pode as folhas dominadas por pincel — elas não se recuperam), reduza o fotoperíodo para 6 horas com tomada temporizadora e faça uma TPA de 30–50% sifonando bem o fundo. Só isso já corta o combustível da maioria dos surtos.
Causa raiz: o triângulo luz × CO2 × nutrientes
Planta saudável compete com alga e vence — quando tem tudo o que precisa, na proporção certa. Esse princípio tem nome e um guia próprio: é a Lei do Mínimo — a planta para no nutriente que faltar, e o que sobra dos outros vira comida de alga. Alga explode quando sobra um recurso que as plantas não conseguem usar: luz demais com CO2 de menos é a receita clássica da filamentosa e da pincel; nutriente acumulado (nitrato e fosfato altos, comida em excesso) alimenta qualquer alga; circulação parada cria o canto morto onde a cianobactéria se instala. Por isso as correções definitivas são sempre as mesmas três:
1. Luz na medida: 6–8 h/dia de fotoperíodo, intensidade adequada ao seu setup — confira na calculadora de iluminação se a sua luz não está superdimensionada. 2. CO2 estável: em plantado com injeção, meça a concentração real pela relação pH×KH na calculadora de CO2 — a alga pincel é quase sempre sintoma de CO2 oscilando. 3. Nutrientes sob controle: alimente menos, sifone o fundo, mantenha rotina de TPA — e em plantado fertilizado, siga o método com dose certa pela calculadora de fertilização EI.
Receita por tipo
Diatomácea (marrom): paciência — é fase de aquário novo e some quando o sistema amadurece. Limpe o vidro, sifone e mantenha a rotina; otocinclus adiantam o serviço. Se persistir após 3 meses, investigue silicato na água de origem.
Filamentosa: remoção manual + fotoperíodo 6 h + menos comida. Camarões neocaridina comem a penugem fina. Persistindo, a luz está forte demais para o seu nível de CO2 e fertilização — reequilibre o triângulo.
Alga peteca (BBA): tem guia próprio, com o protocolo completo. Em resumo: pode as folhas atingidas e estabilize o CO2 (pressão constante, ligar 1–2 h antes da luz). Em pontos localizados, glutaraldeído aplicado com seringa direto no tufo, com filtro desligado por minutos — moderação: overdose mata camarão e planta sensível. O comedor-de-alga-siamês (SAE) é dos poucos peixes que a comem.
Verde de vidro/ponto: raspe na manutenção semanal (cartão ou raspador com lâmina). Em pequena quantidade é sinal de aquário saudável; excesso pede revisão de fotoperíodo e fosfato.
Cianobactéria: sifone as placas, aumente a circulação no canto afetado (ajuste a saída do filtro), reduza matéria orgânica — e se voltar, blackout de 3 dias: luz apagada, aquário coberto com cobertor, sem alimentar. Plantas aguentam; a ciano não. Antibiótico só em último caso e com muito critério — mata também as bactérias boas do filtro.
Prevenção: o aquário que não cria alga
Fotoperíodo fixo no temporizador, alimentação que acaba em 2 minutos, TPA semanal com sifonagem, filtro dimensionado com folga (confira na calculadora de filtragem) e — em plantado — CO2 e fertilização constantes, não "quando lembra". Alga é oportunista: sem sobra de recurso, não há surto.
Perguntas frequentes
Alga no aquário é sinal de sujeira?
Não exatamente. Alga é sinal de desequilíbrio: luz, CO2 e nutrientes (nitrato e fosfato) fora de proporção. Um aquário pode estar limpo e cheio de algas — e um aquário maduro e equilibrado, quase sem manutenção, pode não ter nenhuma. A solução nunca é só esfregar: é corrigir a causa.
Qual peixe come alga?
Depende da alga. Otocinclus ajudam com diatomácea e alga de vidro; camarões neocaridina comem filamentosa fina; o comedor-de-alga-siamês (SAE verdadeiro) é dos poucos que atacam a alga pincel. Nenhum deles resolve a causa do surto — são ajudantes, não solução. E cuidado: "limpa-vidro" chinês (Gyrinocheilus) cresce agressivo e para de comer alga.
Blackout mata as plantas do aquário?
Três dias de escuridão total derrubam cianobactéria e água verde, e a maioria das plantas saudáveis tolera bem esse período. Plantas muito exigentes de luz podem perder folhas, mas se recuperam. Peixes não se incomodam. O que não sobrevive bem ao blackout é justamente o organismo fotossintetizante mais frágil — a cianobactéria.
Posso usar algicida no aquário?
Com muita cautela, e nunca como primeira medida. Algicidas à base de cobre são letais para camarões e caramujos, e derrubar toda a alga de uma vez pode gerar um pico de amônia pela matéria orgânica morta. Trate o algicida como último recurso pontual — a correção duradoura é o equilíbrio entre luz, CO2 e nutrientes.
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O que do catálogo ajuda contra alga?
Só contra alga EM SUSPENSÃO (água verde): o UV mata o que passa dentro dele e o clarificante agrega partícula para o filtro prender. Alga grudada em vidro, planta ou rocha NÃO sai com produto nenhum — sai com manejo: luz, nutriente, poda e limpeza. Produto aqui é exceção, não plano. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.
De onde vêm os números
O gatilho documentado de alga não é excesso de nutriente — é amônia e matéria orgânica em degradação, que aparecem justamente quando a planta para por falta de algum recurso. A referência é 2Hr Aquarist — excesso de nutriente causa alga?, e o princípio que organiza isso é a Lei do Mínimo (Aquasabi — a Lei do Mínimo aplicada ao aquário), que o guia dedicado desenvolve.
É por isso que a página não manda zerar nada. Nitrato zerado é o caso mais didático: a cianobactéria fixa nitrogênio do gás dissolvido e não depende do seu NO₃ — quando ele zera, ela fica sozinha com a luz e o fosfato.
O que é identificação visual e não medição: a chave de reconhecimento de cada alga. É catálogo de aparência, e a página o apresenta como ponto de partida para o diagnóstico, não como laudo.