A proporção que todo mundo cita está em MASSA — e o que você controla é o GH
A recomendação que circula para camarões é entre 2:1 e 5:1 de cálcio para magnésio, e as duas pontas têm origem diferente: 2:1 é a proporção medida em remineralizadores comerciais consagrados, e 5:1 é a dos riachos onde a neocaridina vive. Nenhuma das duas foi comparada em experimento de sucesso de muda — é dado de composição, não de desfecho.
O detalhe que quase nunca acompanha a recomendação: ela está em massa. E massa não é grau de dureza. Um grau de dureza é uma quantidade de matéria — 0,1783 milimol de cátion divalente por litro — e cálcio pesa 40,08 g/mol enquanto magnésio pesa 24,31. Como o magnésio é mais leve, o mesmo grama rende mais graus.
Só que não são duas contabilidades. São três — e a terceira é a que estraga água de verdade.
| se “3:1” significar… | então, entre os elementos Ca e Mg, é | e em contribuição de GH é |
|---|---|---|
| massa dos elementos — o que a literatura quer dizer | 3 : 1 | 1,82 : 1 |
| contribuição de GH | 4,9 : 1 | 3 : 1 |
| massa do pó na balança | 8,3 : 1 | 5,0 : 1 |
Pesar três partes de cloreto de cálcio para uma de sal de Epsom não dá 3:1. Dá 8,3:1 — fora de toda faixa publicada, e do lado do excesso de cálcio. A culpa é da água de cristalização: o sal de Epsom é 51 % água presa no cristal, em massa, então a colher de Epsom entrega muito menos magnésio do que aparenta.
E o inverso surpreende mais: para chegar aos 3:1 entre os elementos, você pesa 1,09 partes de cloreto de cálcio para 1 de Epsom — praticamente meio a meio na balança. Um resultado que ninguém adivinha e que é a razão de esta página existir em vez de uma regra de bolso.
De onde saem os miligramas
Um grau alemão de dureza equivale a 17,848 mg/L de CaCO₃ — a mesma equivalência que a calculadora de custo por dKH usa para o KH, porque o grau é o mesmo: ele mede quantidade de matéria, e o que muda é qual íon está sendo contado. Com a massa molar do carbonato de cálcio (100,09 g/mol), isso é 0,1783 mmol/L de cátion divalente por grau. Daí:
| para subir 1 °dGH em 1 litro | é preciso |
|---|---|
| de cálcio (Ca²⁺) | 7,15 mg/L |
| de magnésio (Mg²⁺) | 4,33 mg/L |
Uma conferência que vale mais que a citação: esse 7,15 mg/L é exatamente o número que a calculadora do teto do kalkwasser já publica como cálcio por °dKH — e lá ele chegou pelo outro caminho, pela estequiometria da deposição do carbonato de cálcio. Dois caminhos independentes, o mesmo número. Quando isso acontece, o número para de depender de quem o disse.
Do íon para o sal, divide-se pela fração de metal de cada composto:
| sal | fração do metal | mg/L por °dGH |
|---|---|---|
| CaCl₂·2H₂O (di-hidratado) | 0,2726 | 26,2 |
| CaCl₂ anidro | 0,3611 | 19,8 |
| MgSO₄·7H₂O (sal de Epsom) | 0,0986 | 44,0 |
| MgSO₄ anidro | 0,2019 | 21,5 |
A água de cristalização é o erro caro, e ele tem tamanho medido
Os dois sais são vendidos em mais de uma forma, e a água presa no cristal conta na balança e não conta na água. Trocar uma pela outra sem refazer a conta erra por:
| troca | erro | direção |
|---|---|---|
| CaCl₂ anidro no lugar do di-hidratado | 1,32× | dose 32 % maior do que o pretendido |
| MgSO₄ anidro no lugar do hepta-hidratado | 2,05× | dose duas vezes o pretendido |
O do magnésio é o mais perigoso porque o hepta-hidratado é 51 % água em massa — e porque sal de Epsom de farmácia e sulfato de magnésio de loja de insumo agrícola podem ser formas diferentes com o mesmo nome na boca de quem vende. Na dúvida, é o hidratado: é o que se compra em farmácia e o que a receita de aquarismo pressupõe. Errar para o lado do hidratado subdosa; errar para o outro lado dobra.
O que esta conta não faz
Não sobe KH. Está na nota acima e vale repetir, porque é a confusão mais comum: dureza geral e dureza carbonatada são medidas diferentes, e estes dois sais mexem só na primeira. Água de osmose remineralizada só com eles fica com GH na faixa e KH em zero — que é de propósito para camarão caridina, e é defeito para quase todo o resto.
Não decide a sua proporção. As duas pontas publicadas discordam por mais de duas vezes e nenhuma delas vem de experimento de muda. A página mostra as quatro e o que cada uma vira em GH; a escolha é sua, e o padrão é o meio-termo.
Não substitui medir. A conta pressupõe que o seu GH atual está medido e que o volume é o volume real de água — não o do vidro. Substrato, rocha e equipamento tiram de 10 a 15 % do volume nominal, e a dose sai proporcionalmente alta se você usar o número da caixa.
Perguntas frequentes
Posso usar só cloreto de cálcio e pular o magnésio?
Pode, e o GH sobe — mas você fica com uma água de proporção muito distante de qualquer referência publicada, e o magnésio tem papel próprio na muda dos camarões e no metabolismo das plantas. Se o objetivo é só levantar o número do teste, um sal basta; se o objetivo é a água, os dois entram.
Sal de Epsom da farmácia serve?
Serve, e é justamente o hepta-hidratado que a conta assume por padrão. O cuidado é com o produto vendido a granel como “sulfato de magnésio” sem especificar a forma: se for anidro, a mesma massa entrega duas vezes o magnésio. Na dúvida, use a opção hidratada da calculadora — ela subdosa em vez de dobrar.
Por que o GH sobe e o KH não?
Porque dureza geral conta cálcio e magnésio, enquanto dureza carbonatada conta carbonato e bicarbonato. Cloreto de cálcio traz cálcio com cloreto; sulfato de magnésio traz magnésio com sulfato. Nenhum dos dois ânions tampona pH, então a alcalinidade não se mexe. Para subir KH é bicarbonato ou carbonato, que é outra calculadora.
Qual proporção de cálcio e magnésio usar?
A literatura de aquarismo publica de 2:1 a 5:1 em massa: 2:1 é o que se mede nos remineralizadores comerciais mais usados, 5:1 é o das águas naturais de onde vem a neocaridina. Nenhuma das duas foi comparada em experimento de sucesso de muda, então não há uma resposta “certa” publicada — a página traz as quatro opções e mostra o que cada uma vira em contribuição de GH.
Essa conta serve para água de torneira também?
Serve, desde que você meça o GH atual e informe. Ela calcula a diferença entre onde você está e onde quer chegar. O que ela não faz é adivinhar a proporção de cálcio e magnésio que já existe na sua torneira — se a água de partida for muito desbalanceada, a proporção final não será a que você escolheu aqui.
De onde vêm os números
A equivalência do grau e as massas molares são definição, não medição. Um grau alemão de dureza equivale a 17,848 mg/L de CaCO₃ — a mesma equivalência que a calculadora de custo por dKH usa, porque o grau é o mesmo e o que muda é o íon contado. Dividindo pela massa molar do carbonato de cálcio saem os 0,1783 mmol/L por grau, e daí os 7,15 mg/L de cálcio e 4,33 mg/L de magnésio. As frações de metal de cada sal saem das massas molares. Nada disso é constante nossa: você refaz com uma tabela periódica.
O que TEM fonte externa é a proporção Ca:Mg, e ela é a parte disputada — as faixas publicadas vão de 2:1 a 5:1, com origens diferentes, e estão linkadas abaixo.
Fontes: a equivalência de 17,848 mg/L de CaCO₃ por grau alemão e as massas molares são de tabela periódica e definição de unidade — a mesma base que a calculadora de custo por dKH e a de bicarbonato usam. As faixas de proporção Ca:Mg vêm de Shrimply Explained — proporção cálcio:magnésio (que declara as duas origens: 2:1 dos remineralizadores comerciais, 5:1 das águas de origem) e as faixas de GH por espécie de ShrimpKeepers — GH para camarões.