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Quarentena marinha: cobre, TTM e hipossalinidade

Atualizado em 29 de agosto de 2026 · leitura de 8 min

Aquário de quarentena marinho de fundo nu, com cano de PVC como abrigo, filtro-esponja, termostato e um peixe-palhaço

Na água doce, quarentena é principalmente observação — o peixe revela o que carrega e você trata o que aparecer. No marinho, a régua muda: o velvet mata em dias e o íctio marinho não some sozinho, então a comunidade de doenças trata a quarentena como tratamento profilático ativo, com três protocolos de números exatos. Este guia apresenta os três — cobre, tank transfer e hipossalinidade —, o que cada um pega e não pega, e os dois pontos em que fabricante e comunidade discordam abertamente.

Resumo rápido

Três protocolos: cobre terapêutico (Cupramine a 0,5 mg/L — 14 dias segundo a Seachem, 30 dias segundo a comunidade Humble.fish: a divergência central do assunto); TTM — transferência para tanque estéril a cada 72 h, mínimo 4 transferências (dias 1-4-7-10-13), só contra íctio; hipossalinidade1,009 sg (12 ppt) por 30 dias, descida em 48 h, volta a 0,002 sg/dia. Cobre pega íctio e velvet; TTM e hipo, só íctio (hipo também flukes). E a regra absoluta: rocha e invertebrado nunca veem cobre — tratamento é em tanque hospital de fundo nu.

Por que a quarentena marinha é tratamento, não só observação

A quarentena de água doce ensina a estrutura — tanque separado, filtro maturado, equipamento dedicado — e tudo aquilo vale aqui. O que muda é o risco: íctio marinho e velvet chegam pendurados em peixe de aparência perfeita, e o velvet costuma varrer um aquário em dias, sem janela para reação. Por isso o protocolo da comunidade de doenças (Humble.fish) não espera sintoma: peixe novo passa por um dos três tratamentos abaixo antes de pisar no display. O tanque é hospital clássico: fundo nu, esconderijos de PVC, filtro maturado e — se a escolha for cobre — nenhum invertebrado, nunca.

Cobre terapêutico: o padrão-ouro, com uma divergência no relógio

Cobre é o único dos três métodos que trata íctio e velvet ao mesmo tempo. O nível terapêutico depende do produto — e medir com o teste certo é parte do protocolo:

ProdutoNível terapêuticoTeste
Cupramine (Seachem)0,5 ppmSeachem MultiTest ou Salifert
Copper Power2,2–2,3 ppm (2,5 contra cepas resistentes)Só Hanna checker HR
Coppersafe2,0 ppmSó Hanna checker HR
Sulfato de cobre0,2 ppm

O protocolo oficial do Cupramine: 1 mL por 40 L, repetindo a dose após 48 h — concentração final de 0,5 mg/L em duas etapas de 0,25 (máximo 0,6; alguns peixes toleram 0,8). Regras do fabricante que não são detalhe: remover invertebrados, desligar UV e ozônio, tirar o carvão, não redosar sem testar e não combinar com condicionadores redutores de amônia como o Prime. Quelatados (Copper Power, Coppersafe) entram já a 2,0 ppm e completam em ~48 h; não-quelatados sobem gradualmente ao longo de dias. Remoção no fim: carvão ou CupriSorb, mantido pelo menos 1 semana após o cobre zerar.

A divergência do relógio: a Seachem manda tratar 14 dias completos. A Humble.fish exige 30 dias em nível terapêutico — ou 14 dias seguidos de transferência para um tanque de observação separado — porque 14 dias cobrem mal o ciclo do Cryptocaryon. O padrão da comunidade de doenças é 30; os 14 do fabricante são o piso. E cobre tem custo biológico: perda de apetite e letargia são esperados — inapetência total é sensibilidade ao metal, e o protocolo manda trocar de método.

Tank Transfer Method: vencer o íctio no relógio

O TTM não usa remédio nenhum — usa o ciclo de vida do parasita contra ele. O peixe é transferido para um tanque estéril a cada 72 horas, nunca mais que isso: dias 1 → 4 → 7 → 10 → 13, mínimo 4 transferências (12–13 dias). Os estágios do íctio que caíram no fundo ficam para trás a cada mudança e nunca alcançam o peixe de novo. A execução exige disciplina: dois tanques de ~40 L com equipamento dedicado, esterilização do tanque anterior com água sanitária ou vinagre seguida de secagem completa ao ar, transferência com pote ou colador — não rede. Temperatura 24–28 °C; salinidade entre 1,020 e 1,026 é aceitável durante o processo.

O limite é a especificidade: TTM clássico trata somente íctio. Velvet, brooklynella e flukes passam ilesos — existem variantes híbridas ("Velvet TTM") para quem precisa cobrir mais.

Hipossalinidade: 1,009 exato, ou nada

O terceiro caminho derruba a salinidade a exatos 1,009 sg (12 ppt) — o parasita não tolera; o peixe, sim. Os números são rígidos: descer em 48 h; manter 30 dias consecutivos para íctio (flukes: mínimo 10 dias; algumas espécies, até 35); subir de volta devagar, 0,002 sg por 24 h. Acima de 1,009 o método falha; muito abaixo, mata. Duas exigências técnicas: refratômetro perfeitamente calibrado — a margem de erro do método é menor que o erro de um refratômetro descalibrado, então calibre contra padrão antes (a calculadora de correção de salinidade ajuda a planejar a descida) — e pH acima de 7,5, porque água diluída perde tampão (buffer ou bicarbonato assado a 150 °C/1 h). Temperatura: 26–28 °C.

Contra velvet, brooklynella e uronema, a hipossalinidade apenas suprime — o peixe parece curado e a doença volta com a salinidade. Não confie nela para esses três.

O que cada método pega — e não pega

MétodoTrataNão trata
Cobre (30 dias)Íctio e velvet marinhosBrooklynella e flukes (apenas suprime)
TTM (4x / 72 h)ÍctioVelvet, brooklynella, flukes
Hipossalinidade (1,009 / 30 dias)Íctio; flukes (≥10 dias)Velvet, brooklynella, uronema (só suprime)

É por isso que o cobre é o padrão-ouro da entrada de peixes novos: é o único que cobre as duas doenças letais de uma vez. TTM e hipossalinidade brilham nos casos em que o cobre não serve — espécies sensíveis ao metal, ou o peixe que parou de comer no cobre. O panorama das doenças em si está no guia de doenças marinhas.

Rocha e invertebrado nunca veem cobre

A regra sem exceção da quarentena marinha: cobre e invertebrado não dividem água. O nível que trata um peixe é letal para camarões, caramujos, corais e a fauna que faz a rocha viva valer o nome — a própria Seachem manda remover invertebrados antes da primeira dose. Na prática isso significa que todo tratamento com cobre acontece no tanque hospital, de fundo nu e equipamento dedicado, jamais no display; rede, sifão e mãos seguem as mesmas regras de biossegurança da quarentena doce. Invertebrados e corais novos têm quarentena própria, sem remédio de peixe — e o dip de corais é outro procedimento, com outra química.

Erro comum Dosar Cupramine no aquário principal "só desta vez" porque o hospital não estava montado. Além de exterminar os invertebrados, o tratamento perde o controle: no display não há como garantir nível terapêutico estável nem remoção limpa. Cobre sem tanque hospital não é tratamento — é aposta.

Perguntas frequentes

Quantos dias de cobre na quarentena marinha?

As fontes divergem. A Seachem, fabricante do Cupramine, manda tratar 14 dias completos em 0,5 mg/L. A comunidade de doenças (Humble.fish) exige 30 dias em nível terapêutico — ou 14 dias seguidos de transferência para um tanque de observação separado — porque 14 dias cobrem mal o ciclo de vida do Cryptocaryon. O padrão da comunidade é 30; os 14 do fabricante são o mínimo.

O que o tank transfer method (TTM) trata?

Somente íctio marinho (Cryptocaryon irritans). O protocolo — transferir o peixe para um tanque estéril a cada 72 horas, no mínimo 4 transferências (dias 1, 4, 7, 10 e 13) — deixa os estágios do parasita para trás antes de reinfectarem o peixe. Velvet, brooklynella e vermes monogenéticos não são cobertos pelo TTM clássico; existem variantes híbridas para isso.

Como funciona a hipossalinidade?

Baixa-se a salinidade a exatos 1,009 sg (12 ppt) em 48 horas e mantém-se por 30 dias consecutivos para íctio (flukes: mínimo 10 dias). Acima de 1,009 o método falha; muito abaixo, mata. A volta é lenta: 0,002 sg por dia. Exige refratômetro perfeitamente calibrado e pH acima de 7,5, e não é confiável contra velvet, brooklynella ou uronema — contra esses, apenas suprime.

Cobre mata invertebrados e rocha viva?

Cobre em nível terapêutico é letal para invertebrados — a própria Seachem manda removê-los antes de dosar. Por isso todo tratamento com cobre acontece em tanque hospital de fundo nu e equipamento dedicado, nunca no aquário principal: camarões, corais, caramujos e a fauna da rocha viva não podem cruzar com o medicamento. Peixe tratado volta ao display; a água e o cobre, não.

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O que do catálogo entra na quarentena?

Medicamento e teste são o que a quarentena usa. Mas o que faz a quarentena funcionar é o TEMPO e o tanque separado — comprar remédio sem ter onde isolar o peixe não encurta nada, e tratar no aquário principal contamina a rocha e o coral. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

Fontes deste guia

De onde vêm os números

Os níveis terapêuticos de cobre são de rótulo de fabricante, e é assim que devem ser lidos: Cupramine a 0,5 mg/L, Copper Power a 2,2–2,3 ppm, Coppersafe a 2,0 ppm. Eles não são intercambiáveis porque medem coisas diferentes — cobre ionizado num caso, quelado no outro —, e cada um exige o teste que o fabricante indica. Trocar o número entre produtos é a forma mais direta de matar o peixe que se queria tratar.

E há uma divergência que a página publica em vez de esconder. A Seachem manda tratar 14 dias; a comunidade do Humble.fish — protocolo de cobre exige 30 dias em nível terapêutico. Ficamos com o prazo longo pelo motivo que a biologia dá: o UF/IFAS FA164 — Cryptocaryon irritans em peixes marinhos registra tomontes que só eclodiram entre 3 e 72 dias (Colorni & Burgess, 1997), e um protocolo de 14 dias não cobre a cauda dessa distribuição.

O calendário do TTM e o alvo da hipossalinidade vêm do mesmo lugar: as transferências em 1–4–7–10–13 acompanham a duração do trofonte no peixe (3–7 dias, UF/IFAS), e o alvo de 1,009 sg com descida em 48 h é o do Humble.fish — hipossalinidade. A faixa de 24–28 °C é convenção de manejo, não medição nossa.

O que NÃO é fonte externa: a recomendação de bare-bottom, o material dos baldes e a ordem operacional são prática de manejo consolidada, e a página as apresenta como tal — não como número medido.