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Pragas de coral: AEFW, red bugs e o nudibrânquio de montipora

Publicado em 28 de agosto de 2026 · leitura de 10 min

Colônia de acropora com áreas pálidas de esqueleto exposto onde o tecido foi comido, cercada de pólipos saudáveis

Elas chegam num frag de aparência impecável e se anunciam semanas depois: manchas pálidas subindo pela acropora, pólipos que não abrem mais, a borda da montipora recuando como maré. As três pragas de coral mais temidas do hobby — a planária comedora de acropora (AEFW), os red bugs e o nudibrânquio de montipora — compartilham uma única fraqueza explorável: todas entram pela mesma porta. Este guia ensina a reconhecer cada uma, o que fazer quando já entraram — e o rito de entrada que evita o problema inteiro.

Resumo rápido

AEFW: planária camuflada que come tecido de acropora; sinais são mordidas pálidas e pólipos fechados; teste do jato de seringa revela os adultos; ovos âmbar em esqueleto exposto sobrevivem ao dip — remoção física + dips repetidos cobrindo as ~3 semanas de eclosão + quarentena. Red bugs: copépodes amarelos de mancha vermelha em acropora lisa; banho de milbemicina (Interceptor) fora do display — mata crustáceos. Nudibrânquio de montipora: o mais difícil; dips comuns não bastam, ovos ficam no esqueleto — remoção manual contínua, e colônia muito infestada às vezes se descarta. Em todas: dip + inspeção + quarentena de todo frag novo é o que separa quem lê este guia por curiosidade de quem lê por desespero.

AEFW: a planária que come acropora

A Amakusaplana acroporae é uma planária oval, marrom, achatada — praticamente invisível sobre o tecido que ela mesma deixa pálido. O diagnóstico raramente começa pelo bicho: começa pelas mordidas, manchas irregulares de tecido faltando (o esqueleto branco aparece), pólipos retraídos, cor lavada. Dois testes práticos: o jato de água — uma seringa ou baster soprada na colônia faz os adultos se descolarem e voarem na correnteza — e a busca por ovos: cachos de esferas âmbar postos "em áreas duras onde o esqueleto está exposto ou na base do plug" (Reef Builders). E aqui está a chave do fracasso dos tratamentos apressados: os dips matam adultos e deixam os ovos intactos. O protocolo que funciona é um ciclo: dip nos adultos, raspagem ou corte físico das posturas (na dúvida, descarte o plug e remonte o frag), quarentena, e repetição do dip em intervalos que cubram a eclosão — os ovos eclodem em cerca de 21 dias, e o adulto sobrevive até uma semana sem comer acropora, então a quarentena curta demais devolve a praga junto com o coral. No display infestado, onde dip é impossível, o manejo é atrito: jato de baster nas colônias regularmente (os soltos viram comida de peixe) e bodiões pequenos — como o six line — ajudando na patrulha.

Red bugs: os pontinhos que apagam a acropora

Os red bugs (Tegastes acroporanus) são copépodes parasitas minúsculos — pontos amarelos com mancha vermelha, visíveis a olho atento contra o tecido de acroporas de pele lisa. O dano é lento: irritação constante, pólipos que param de estender, crescimento que estanca, cor que apaga; a Tidal Gardens registra risco real de perda da colônia no longo prazo. O tratamento consagrado é químico e fora do display: banho de milbemicina oxima — o vermífugo veterinário Interceptor, na origem do método — em recipiente separado, repetido para cobrir os estágios que o primeiro banho não pegou. O motivo do "fora do display" é absoluto: milbemicina é pesticida de artrópode e extermina camarões, caranguejos e todos os copépodes do sistema junto com a praga. Existem alternativas documentadas na comunidade (inclusive inseticidas domésticos usados como dip, com enxágue rigoroso), e um controle natural com bons relatos: o pipefish dragonface, que pasta os copépodes da colônia.

Nudibrânquio de montipora: o inimigo mais paciente

O comedor de montipora é um nudibrânquio de poucos milímetros, cor de tecido de coral, que avança comendo a borda viva de montiporas e deixa atrás de si esqueleto nu — a linha branca subindo pela capricornis é o quadro típico. É a praga mais frustrante das três, pelo dossiê da Tidal Gardens: resiste às concentrações normais dos dips (exige "dose agressiva"), os ovos ficam protegidos no esqueleto (só saem por raspagem) e a reinfestação é regra. O manejo real: remoção manual disciplinada dos adultos e das posturas a cada poucos dias, frags das partes ainda saudáveis quando a colônia está tomada — e a recomendação dura, porém honesta, da própria fonte: às vezes descartar a colônia infestada custa menos que meses de guerra perdida. Quem tem muitas montiporas convive melhor com esse risco isolando qualquer novidade do gênero por semanas antes de misturar.

A porta de entrada é uma só

As três pragas não nadam até sua casa: chegam no frag — no coral, no plug, na água do saco. O rito de entrada que fecha a porta está detalhado no guia de aclimatação e dip de coral novo; o resumo executivo: dip de todo coral que entra (sem exceção de procedência — a loja mais limpa do mundo tem um fornecedor), inspeção com lupa do plug e da base (é onde ficam as posturas; na dúvida, plug fora), e quarentena de observação — semanas, não dias, porque tanto o AEFW quanto o nudibrânquio nascem de ovos que nenhum dip alcançou. Quarentena de coral parece luxo até a primeira infestação; depois dela, vira o item mais barato do sistema.

📈 Tratando uma colônia? Registre cada dip e cada postura removida no Pulso — o ciclo de eclosão se vence com calendário, não com memória.
Erro comumDar um dip único e devolver o coral ao display. O dip mata o adulto e poupa o ovo — três semanas depois, a praga "volta" (nunca foi embora). Tratamento é ciclo: dip, remoção física de ovos, quarentena, repetição.
Erro comumTratar red bugs com milbemicina no aquário principal. O pesticida não distingue praga de camarão: leva junto Lysmata, ermitões e toda a população de copépodes que alimenta o sistema. Banho é em recipiente separado, sempre.
Erro comumConfiar na aparência do frag ("veio de aquarista cuidadoso, está lindo"). AEFW camuflada em tecido marrom e ovos na base do plug são invisíveis no aquário da loja. O dip não é ofensa ao vendedor — é o pedágio de entrada de qualquer SPS.

Perguntas frequentes

Como sei se minha acropora tem AEFW?

Os sinais na colônia: mordidas — manchas pálidas irregulares de tecido faltando —, pólipos retraídos e cor apagada. A planária em si é quase invisível: oval, marrom, camuflada sobre o tecido. O teste prático é o sopro de seringa ou baster: um jato de água na base da colônia faz os adultos se soltarem. Os ovos são cachos de esferas âmbar/marrons postos em áreas sem tecido — esqueleto exposto e base do plug.

O que são red bugs e como tratar?

Copépodes parasitas (Tegastes acroporanus) — pontinhos amarelos com mancha vermelha, visíveis contra o tecido de acroporas lisas. Não matam rápido: irritam, o coral retrai os pólipos, para de crescer e perde cor. O tratamento clássico é banho de milbemicina (Interceptor, vermífugo veterinário) em recipiente separado; produto à base de milbemicina mata também camarões e outros crustáceos, então nunca no display. Pipefish dragonface é o controle natural relatado.

O dip de coral não resolve os ovos?

Não — essa é a pegadinha central das três pragas. Os dips comerciais derrubam adultos, mas os ovos de AEFW e do nudibrânquio de montipora sobrevivem. Por isso o protocolo é ciclo, não evento: remover ovos fisicamente (raspar/cortar as áreas com postura, descartar o plug), repetir o dip cobrindo o ciclo de eclosão — os ovos de AEFW eclodem em ~3 semanas — e observar em quarentena antes de devolver ao display.

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Fontes: Reef Builders — What Are AEFW and How to Treat Them · Tidal Gardens — Coral Pests · BRS — Reef Tank Pests and How To Get Rid of Them