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aquacalcGuias de marinho › Acropora (gênero)

Acropora (Acropora spp.): guia de cultivo

Publicado em 14 de agosto de 2026 · leitura de 4 min

Colônia ramificada de Acropora azul-esverdeada com as pontas dos galhos mais claras, no alto da rocha sob luz forte

Acropora é o gênero que define o reef de alto nível e também o que mais gera abandono de hobby. A colônia derrete em horas, sem aviso, e o aquarista conclui que faltava luz ou que o frag veio ruim. Quase nunca é isso. O que mata Acropora é a instabilidade química, e a instabilidade sobra justamente em sistema que ainda não amadureceu.

Resumo rápido

A tese: não é a luz nem o preço que mata Acropora, é a oscilação. Variação de alcalinidade acima de cerca de 0,5 dKH por dia dispara RTN e STN, e a colônia perde tecido em horas. Entre no gênero apenas com sistema rodando há 6 a 12 meses, dosagem automatizada, 150 litros ou mais, PAR de 250 a 400 e fluxo alto.

Nome científicoAcropora spp.
Aquário mínimo150 L
Temperatura24–27 °C
Densidade1,025–1,026
PAR250–400
FluxoForte
Reef safeReef safe
DificuldadeDifícil

O que é Acropora e por que ela é classificada como difícil

Acropora é um gênero de coral duro de pólipo pequeno (SPS), de esqueleto ramificado e crescimento rápido quando as condições se mantêm. A dificuldade não está em nenhum parâmetro isolado, e sim na tolerância estreita à variação. Onde um coral mole absorve um tranco de alcalinidade sem reagir, a Acropora responde com perda de tecido irreversível.

Ela é pacífica no sentido de não atacar vizinhos com varredores, mas compete por espaço e sombreia o que estiver abaixo dela quando cresce. É reef safe, com a ressalva de que dificilmente o resto do sistema é safe para ela.

Sistema mínimo e maturidade

O volume mínimo de referência é 150 litros, temperatura de 24 a 27 °C e densidade de 1,025 a 1,026 — faixa estreita, coerente com um animal que não gosta de mudança. Mas o requisito que mais pesa não é volume, é tempo: só entre com Acropora em sistema rodando há 6 a 12 meses.

A razão é prática. Sistema novo ainda está definindo consumo de alcalinidade e cálcio, ainda tem picos de nutriente, ainda passa por ciclos de alga e ainda depende de intervenção manual frequente. Cada uma dessas coisas é uma oscilação, e é a oscilação que mata.

Luz e aclimatação luminosa

A faixa de PAR é de 250 a 400 µmol·m⁻²·s⁻¹, em posição de topo. Esse número costuma ser lido como licença para colocar o frag novo direto sob o ponto mais forte da luminária, o que é um erro caro.

Um frag vindo de fazenda ou de loja quase sempre vinha de intensidade menor. Comece na base ou na sombra e suba ao longo de duas a quatro semanas, ou reduza a intensidade da luminária e recupere ao longo de aproximadamente um mês. Branqueamento por choque de luz é uma das causas mais comuns de perda de frag recém-chegado, e ele não aparece no mesmo dia.

Fluxo

Fluxo alto é obrigatório, e turbulento, não laminar. A função é dupla: levar nutriente e oxigênio até os pólipos e impedir que detrito assente entre os ramos. Detrito parado na base da colônia é ponto de partida clássico de perda de tecido.

O ajuste se lê no coral: os pólipos devem ficar visíveis e vibrando, e não permanentemente colados no esqueleto. Se o coral fica fechado o tempo todo, o jato está direto demais; se detrito acumula na base, está fraco demais.

Química: o parâmetro que decide tudo

Oscilação de alcalinidade acima de cerca de 0,5 dKH por dia é o gatilho documentado de RTN e STN em Acropora, com colônia derretendo em horas. Por isso o gênero praticamente exige dosagem automatizada: dosar à mão uma vez por dia significa entregar toda a reposição de um golpe e criar exatamente a variação que se quer evitar.

Os alvos que o aquacalc publica são 7 a 9 dKH, cálcio de 400 a 550 ppm e magnésio de 1250 a 1400 ppm. O valor escolhido importa menos que a constância dele. Com SPS no sistema, alcalinidade passa a ser teste de duas vezes por semana, no mínimo, e todo ajuste de método de suplementação é feito em degraus pequenos.

Nutriente zerado também é instabilidade. Acropora com nitrato e fosfato no chão queima ponta e clareia, e o quadro piora justamente quando a alcalinidade está na parte alta da faixa.

RTN, STN e o que fazer quando começa

RTN (necrose rápida de tecido) é a perda de tecido em horas, tipicamente da base para a ponta, deixando esqueleto branco limpo. STN (necrose lenta) faz o mesmo em dias. Em ambos os casos, o esqueleto exposto é branco brilhante, diferente do branco opaco do branqueamento por luz ou temperatura.

Não existe medicamento. A conduta é: testar alcalinidade, cálcio, magnésio, salinidade e temperatura imediatamente, procurar o que mudou nas últimas 48 horas, parar de mexer no sistema e cortar frags das porções ainda sadias como seguro. Colar o frag salvo em outro ponto do sistema ou em outro aquário aumenta a chance de não perder a genética inteira.

Pragas e entrada de coral novo

Acropora carrega pragas específicas: vermes planos de Acropora, que se escondem sob a base e deixam marcas de mordida, e os chamados red bugs, crustáceos minúsculos que deixam o coral com pólipos fechados e coloração apagada. Nenhum banho de dip mata ovos, então confiar só no dip é semear a praga no display.

O procedimento correto é inspecionar o frag com lupa, raspar posturas, trocar o plug de origem e manter quarentena de coral antes de entrar no aquário principal. Vale o mesmo critério da água: com Acropora, o custo do erro é uma colônia inteira.

Erro comumEntrar com Acropora em sistema novo. Antes de 6 a 12 meses, o consumo de alcalinidade e cálcio ainda está se estabilizando e as correções manuais são grandes; é exatamente essa oscilação, acima de 0,5 dKH por dia, que dispara RTN e STN.
Erro comumColocar o frag recém-chegado direto no ponto de 400 de PAR. Comece na base ou na sombra e suba ao longo de duas a quatro semanas: o branqueamento por choque de luz só aparece dias depois da mudança.
Erro comumConfiar apenas no dip para pragas. Nenhum dip mata ovo de verme plano ou de red bug. Sem inspeção com lupa, troca de plug e quarentena de coral, a praga entra junto com o frag.
Que luz sustenta este coral?

A faixa de PAR desta espécie é 250–400 µmol. Luminária de reef se escolhe por PAR na posição do coral, não por watt nem por litro. O que decide é onde ele fica na rocha e a que altura está a luz. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

Perguntas frequentes

Dá para manter Acropora sem dosadora?

Dá, mas o risco sobe muito. O gatilho de RTN e STN é variação de alcalinidade acima de cerca de 0,5 dKH por dia, e dose manual concentrada em um único momento do dia produz justamente esse degrau. Dosagem automatizada em várias tomadas ao longo do dia é o que torna o gênero previsível.

Meu Acropora branqueou da base para a ponta em uma noite. O que foi?

O quadro descrito é RTN. Não há tratamento: teste alcalinidade, cálcio, magnésio, salinidade e temperatura, identifique o que mudou nas últimas 48 horas, pare de intervir no sistema e corte frags das porções ainda com tecido para preservar a genética.

Quanto de luz Acropora precisa?

De 250 a 400 de PAR, em posição de topo, com fluxo alto e turbulento. Esse é o alvo depois da aclimatação, nunca o ponto de entrada de um frag novo.

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🐠 Veja a ficha de Acropora (gênero) com todos os parâmetros, ou filtre o catálogo marinho pela litragem do seu aquário.

Fontes: metareef.com · www.extremecorals.com