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aquacalcGuias › Salinidade e reposição

Salinidade estável: o refratômetro aferido, a física da evaporação e o ATO seguro

Publicado em 13 de agosto de 2026 · leitura de 8 min

Refratômetro na mão em frente a um aquário marinho com reservatório de reposição

Metade dos "mistérios" de salinidade do hobby cabe em duas frases: a evaporação só leva a água — o sal fica; e a maioria dos refratômetros de aquarismo mente na faixa que interessa quando calibrada só no zero. Este guia fecha as três pontas: medir certo, repor certo, e automatizar sem criar um novo jeito de inundar a sala.

Resumo rápido

O alvo é 35 ppt — o mesmo número em três línguas: densidade 1,0264 (a 25 °C) ou condutividade 53 mS/cm. Afira o refratômetro com padrão de 35 ppt (não só com água RO no zero — o erro pode chegar a 5 ppt na faixa de leitura). A evaporação típica é de 1 a 2% do volume por dia e concentra o sal: reposição é sempre com água doce (RO/DI); água salgada só entra na TPA, casada em ±0,002 de densidade com o display. O ATO seguro tem três camadas: sensor primário, backup de outra tecnologia e limite de tempo de bomba — e um reservatório pequeno o bastante para o pior erro caber nele. Salinidade um pouco fora e estável machuca menos que salinidade "certa" oscilando.

Uma grandeza, três escalas

Salinidade se expressa de três jeitos, e cada instrumento fala um deles. O padrão científico é 35 ppt (gramas de sal por quilo de água — a média dos oceanos sobre recifes fica entre 34 e 36). A tradição do hobby fala em densidade específica 1,0264 a 25 °C — é o que o refratômetro de aquarismo e o densímetro mostram. E os controladores medem condutividade: 53 mS/cm. A tabela de conversão que vale decorar:

SalinidadeDensidade (25 °C)CondutividadeContexto
30 ppt1,022646,5 mS/cmBaixo — comum em loja de peixe
35 ppt1,026453 mS/cmO alvo do reef
40 ppt1,030259,5 mS/cmReposição esquecida por dias

O densímetro de braço — o de agulha flutuante — é o instrumento que mais engana: bolha presa no braço, desgaste do eixo e calibração de fábrica em outra temperatura produzem erros grandes sem nenhum sinal externo. Serve de estimativa grosseira; reef se pilota com refratômetro ou sonda de condutividade.

O refratômetro mente — até você aferi-lo em 35 ppt

Aqui está o erro documentado por Randy Holmes-Farley que quase ninguém conhece: a maioria dos refratômetros vendidos para aquarismo é, na verdade, de salmoura (projetada para NaCl puro, não para água do mar — as escalas divergem). Calibrar só o zero com água RO ajusta o ponto zero e nada mais: na faixa dos 35 ppt, um refratômetro de salmoura descalibrado pode ler a água do seu aquário com erro de até 5 ppt — mostrando 35 quando o aquário está em 30. A solução custa um sachê: solução-padrão de 35 ppt (vendida no Brasil, inclusive pela operação nacional da Hanna). Pingue o padrão, ajuste o parafuso para ler exatamente 35 (ou 1,0264), e só então confie na leitura. Use a compensação de temperatura (ATC) e repita a aferição a cada poucas semanas — o parafuso anda.

A física da evaporação — e por que reposição é doce e TPA é salgada

Quando a água evapora, apenas as moléculas de H2O saem; cada grama de sal fica. Um sistema típico evapora 1 a 2% do volume por dia (tampa, ventoinha, temperatura e clima mudam muito esse número — a ventoinha de verão, em particular, resolve o calor aumentando a evaporação). Num aquário de 200 L, isso são 2 a 4 L diários — e, sem reposição, densidade subindo ~0,0005 por dia. Em uma semana de viagem sem ninguém repondo: +0,0035, o suficiente para estressar coral. Daí as duas regras que não se misturam: evaporação se repõe com água doce (RO/DI, zero TDS — qualquer sal na reposição se acumula para sempre), e TPA se faz com água salgada na mesma salinidade do display, com tolerância de ±0,002 de densidade e temperatura casada. Quem repõe evaporação com água salgada está salgando o aquário aos poucos; quem faz TPA com salinidade diferente dá um solavanco osmótico em tudo que vive ali.

ATO: automatizar sem criar um risco novo

A reposição automática (ATO) é o upgrade de estabilidade com melhor custo-benefício do marinho — a salinidade para de oscilar dia a dia e passa a flutuar em torno do alvo. Mas um ATO é uma bomba ligada num sensor, e sensor falha. O desenho seguro, consolidado pela BRS e pelo padrão dos aparelhos de referência (o Tunze Osmolator é o exemplo clássico), tem três camadas:

CamadaO que éContra qual falha
Sensor primárioÓptico (sem partes móveis) ou boiaOperação normal
Backup de outra tecnologiaBoia mecânica acima do nível do primárioPrimário travado ligado
Limite de tempo da bombaTimer interno ou tomada temporizadaOs dois sensores falhando

E há um failsafe passivo que não depende de eletrônica: o tamanho do reservatório. Se o reservatório de reposição contém só o que o sistema evapora em 2 ou 3 dias, o pior defeito possível despeja pouco: nem inunda a sala, nem dessaliniza o aquário a ponto de matar. Reservatório gigante é conveniência com um modo de falha do tamanho dele. Dois cuidados finais: sensor se limpa (biofilme trava boia e engana óptico — 1 minuto na rotina semanal), e kalkwasser dosado pelo ATO pede respeito dobrado: a água de cal tem pH ~12,4, e uma falha de sensor vira dose cavalar de hidróxido — se for por esse caminho, o reservatório pequeno deixa de ser dica e vira obrigação (o porquê está no guia de suplementação).

Estabilidade vale mais que o número perfeito

Holmes-Farley resume: um aquário parado em 1,027 está ótimo; um aquário serrando entre 1,024 e 1,027 conforme alguém lembra da reposição está sob estresse osmótico contínuo — salinidade um pouco fora e estável é melhor que "certa" e oscilante. É o mesmo princípio da temperatura e da alcalinidade: o custo biológico está na variação, não no decimal. O ATO compra exatamente isso: variação pequena, todo dia, sem depender de memória.

🧂 Vai preparar água nova? A calculadora de sal e troca de água converte volume e salinidade-alvo em gramas de sal — e o Pulso guarda a série de densidade do seu sistema.
Erro comumCalibrar o refratômetro só no zero, com água RO, e confiar. Refratômetro de salmoura zerado ainda erra na faixa dos 35 ppt — a aferição que vale é com padrão de 35 ppt.
Erro comumRepor evaporação com água salgada. O sal da evaporação nunca saiu do aquário; repor com salgada soma sal novo, e a salinidade sobe semana após semana "sem explicação".
Erro comumATO com sensor único e reservatório de 40 L. Sensor trava — é questão de quando. Sem backup, sem limite de bomba e com reservatório grande, a falha vira inundação ou dessalinização em escala.

Perguntas frequentes

Minha salinidade subiu para 40 ppt. Corrijo de uma vez?

Não — desça em etapas, ao longo de horas a dias: remova água salgada e reponha com RO/DI aos poucos, medindo. A causa quase sempre é reposição parada ou refratômetro desaferido; conserte a causa junto, ou o número volta.

Quanto meu aquário deveria evaporar por dia?

A ordem de grandeza é 1 a 2% do volume por dia — 2 a 4 L num sistema de 200 L. Tampa reduz muito; ventoinha de resfriamento aumenta; inverno seco aumenta. O número exato importa menos que a consequência: é esse volume que seu ATO repõe e que dimensiona o reservatório.

Densidade 1,025 está errada? Todo mundo fala em 1,025.

1,025 (≈33,5 ppt) está dentro do tolerável e muita gente cria bem assim. O alvo de referência para reef é 35 ppt (1,0264), o valor da água sobre recifes naturais — e para invertebrados exigentes a diferença conta. Mais importante que escolher entre 1,025 e 1,0264 é ficar parado no valor escolhido.

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O que existe no catálogo para salinidade e reposição?

Salinidade estável pede três coisas: sal de qualidade para a TPA, refratômetro aferido com padrão de 35 ppt, e reposição com água doce RO/DI — nunca salgada. O padrão de calibração custa pouco e é o que faz todo o resto dizer a verdade. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

De onde vêm os números

A salinidade-alvo e a tolerância de variação são de Randy Holmes-Farley — parâmetros ótimos para um aquário de recife. O ponto da página — que a reposição é o que mantém a salinidade, e não a TPA — é consequência aritmética: evapora água pura, sai só água, e o sal fica.

O dimensionamento do reservatório e o comportamento do ATO seguem Bulk Reef Supply — reposição automática e evaporação, e a calculadora de evaporação e ATO faz essa conta com o seu consumo. O teto do kalkwasser mostra o outro lado da mesma moeda: quando o top-off vira dosagem, a evaporação passa a ser o limite.

O que depende do seu equipamento, e por isso a página não crava: a taxa de evaporação. Ela varia com clima, tampa, iluminação e skimmer, e é por isso que a recomendação é medir a sua em vez de adotar a de alguém.