PAR: o número que substitui o "watt por litro"
PAR (radiação fotossinteticamente ativa) mede quantos fótons úteis chegam por metro quadrado por segundo — µmol·m⁻²·s⁻¹. É o único número comparável entre luminárias de marcas, potências e óticas diferentes, e é o que os corais de fato recebem na posição onde estão. As faixas de trabalho consolidadas pela Bulk Reef Supply:
| Grupo | PAR de trabalho | Observação |
|---|---|---|
| Zoanthus, cogumelos | 50–150 | Toleram sombra; saturam cedo |
| Couros, xênia | 100–150 | — |
| LPS (Euphyllia, Trachyphyllia, Favia) | 75–150 (Euphyllia até ~250) | "Quanto mais baixo dentro da faixa, melhor" (BRS) |
| SPS (Acropora, Montipora) | 200–350 | Acropora: 200–300 no máximo possível do aquário |
| Pocillopora, Stylophora | 250–400 | Os mais tolerantes a luz alta |
Esses tetos não são prudência vazia — são medição. Dana Riddle, a referência em fotobiologia de aquário, mediu ponto de saturação (onde mais luz deixa de virar mais fotossíntese) espécie por espécie: Pavona satura em ~110 µmol, Montipora capitata em ~135, Porites lobata em ~250, Pocillopora meandrina em ~275. E mediu onde começa a fotoinibição — luz demais desligando a fotossíntese: ~350 para Pavona, ~425 para P. meandrina. A conclusão dele cabe numa linha: 200–300 µmol saturam a maioria dos corais. Acima disso você compra risco, não crescimento.
Espectro: por que o azul é o combustível
A zooxantela — a alga simbionte que alimenta o coral — trabalha com três pigmentos: clorofila a (absorção máxima em 410–430 nm), clorofila c2 (~450 nm) e peridinina (~480 nm, a responsável pelo tom marrom-dourado). Os três picos caem na mesma região: azul-violeta, de 410 a 484 nm. É por isso que luminária de reef é azul: não é moda, é o trecho do espectro que vira energia. PAR alto com espectro errado rende menos que PAR moderado no azul certo — o que a BRS chama de diferença entre PAR e PUR (radiação utilizável).
E a velha briga "branca cresce mais"? Sem vencedor medido: os experimentos comparativos publicados não fecham um número, e o que há de sólido é a absorção dos pigmentos, que favorece o azul. O bônus do azul é estético e biológico ao mesmo tempo: a mesma banda que a fotossíntese usa é a que excita a fluorescência dos pigmentos do coral. Canal branco é para o seu olho durante o dia; a base do programa é azul.
Um sinal que confunde todo mundo: coral marrom não é coral "sem cor de fábrica" — é excesso de zooxantela mascarando os pigmentos, tipicamente por pouca luz, nutriente alto, ou os dois. A correção é gradual: mais PAR (em rampa) e nutrientes na faixa, nunca um salto de intensidade.
Fotoperíodo: horas e rampa
A referência da BRS: com PAR no teto da faixa do seu coral, cerca de 9 horas de luz plena; com PAR conservador, até 12. As rampas de amanhecer e entardecer (15 a 30 minutos cada) existem para o choque não ser binário — e são também o horário em que o aquário fica mais bonito. Mais horas não substituem PAR: fotoperíodo esticado com luz fraca só cultiva alga na areia.
Trocou a luz? A rampa de semanas
O acidente mais repetido do hobby: luminária nova, mais forte, instalada a 100% "para ver como fica" — e uma semana depois, SPS branqueando de cima para baixo. Coral aclimata a luz na velocidade de semanas, não de dias. O protocolo consolidado (Current USA; a Ecotech embute isso no modo "Acclimation" do Mobius): começar com 20 a 30% menos intensidade que o alvo e subir ~10% por semana; fotoperíodo começando em 6–9 h e ganhando 1 h por semana. O mesmo vale ao mover um coral para posição mais alta. Qualquer coral clareando durante a subida = congele a rampa uma semana. No coral recém-comprado, a regra é a mesma na direção oposta: entra na sombra/base e sobe ao longo de 2 a 4 semanas.
Medir: do aplicativo ao PAR meter
Sem medir, tudo acima é chute com estilo. As opções, por ordem de precisão: o Apogee MQ-510 (o padrão do hobby, ±5%, fator de imersão já calibrado) — caro, mas existe aluguel e rodízio em clubes e fóruns brasileiros, e uma tarde emprestado mapeia o aquário inteiro; o Seneye Reef, que funciona bem sob a luminária mas lê até 40% a menos fora do eixo (teste da própria Apogee); e o aplicativo Photone com difusor de papel sobre a câmera — usuários relatam de ±5% a ±20 PAR contra o Apogee, o que serve para mapear zonas relativas ("aqui tem o dobro dali"), não para números absolutos. Para posicionar coral por faixa, o mapa relativo já muda o jogo.
Perguntas frequentes
Quanto PAR para cada tipo de coral?
Moles e LPS: 75–150 µmol (zoanthus e cogumelos aceitam desde 50). SPS: 200–350, com Acropora tipicamente em 200–300. A maioria dos corais medidos satura entre 200 e 300 µmol — mais que isso não acelera crescimento e aproxima a fotoinibição.
Aplicativo de celular substitui o PAR meter?
Para mapa relativo, sim — com difusor sobre a câmera e calibração, o Photone chega perto o bastante para comparar posições do mesmo aquário. Para números absolutos (comparar com tabelas e faixas), o padrão é um quantum meter como o Apogee (±5%). Aluguel e rodízio em clube resolvem sem comprar.
Meu coral está ficando marrom. É falta de luz?
Provavelmente é excesso de zooxantela — a alga simbionte escurece o coral quando luz de menos ou nutriente de mais deixam a população explodir. Confira PAR na posição do coral e nitrato/fosfato; a correção é gradual (rampa de luz, ajuste de nutrientes), nunca um salto de intensidade.
Leve este guia com vocêBaixe o PDF para consultar offline, imprimir ou levar até a loja. É gratuito — pedimos só um cadastro rápido.
O que existe no catálogo para iluminação de reef?
Luminária de reef se compara por PAR entregue na profundidade do seu aquário e por espectro na banda azul (410–484 nm) — watt é conta de luz, não de coral. E toda troca de luminária começa com a rampa de aclimatação. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.
De onde vêm os números
As faixas de PAR por tipo de coral são consenso técnico de aquarismo de recife, e a página as apresenta como faixas largas de propósito — a referência de fluxo e iluminação que o site usa é Bulk Reef Supply — fluxo e iluminação em aquário de recife.
O que a página faz questão de dizer: PAR não se estima por watt nem por lúmen. Watt mede consumo, lúmen mede resposta do olho humano, e nenhum dos dois descreve o que o coral usa. Sem medidor, o caminho honesto é aclimatar devagar e observar — não converter.
E há um número que a página recusa: uma tabela de PAR por modelo de luminária e altura. Ela dependeria de refletor, de idade do LED e da geometria do tanque, e nenhuma fonte publica isso de forma transferível.
Os alvos de água que acompanham são de Randy Holmes-Farley — parâmetros ótimos para um aquário de recife.