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Coral-sol (Tubastraea coccinea): guia de cultivo

Publicado em 14 de agosto de 2026 · leitura de 4 min

Coral-sol com pólipos laranja totalmente abertos em uma saliência sombreada e virada para baixo da rocha, em cena escura

O coral-sol é comprado pela cor laranja intensa e morre por um motivo que quase nunca está no folheto: ele não faz fotossíntese. Não tem zooxantelas, não vive de luz, não aproveita nada da sua luminária. Cada pólipo tem de ser alimentado na mão, quase todo dia, indefinidamente. Quem não pode assumir essa rotina não deve comprar este coral — e, no Brasil, há um segundo motivo, ainda mais sério, para pensar duas vezes.

Resumo rápido

A tese: coral-sol não é coral de luz, é coral de boca. Ele fica na sombra, abaixo de 75 de PAR, e depende de alimentação manual pólipo a pólipo quase diária; sem isso, definha em semanas. E, no Brasil, Tubastraea coccinea e T. tagusensis são espécies exóticas invasoras, já em cerca de 3.000 km de costa e sob plano nacional de controle do IBAMA.

Nome científicoTubastraea coccinea
Aquário mínimo114 L
Temperatura24–26 °C
Densidade1,023–1,026
PAR0–75
FluxoModerado
Reef safeReef safe
DificuldadeDifícil

O coral que não faz fotossíntese

A imensa maioria dos corais de aquário é fotossintética: abriga algas simbiontes que produzem energia a partir da luz. O coral-sol não. Ele é um LPS azooxantelado, ou seja, filtrador puro, que na natureza captura zooplâncton na coluna de água.

A consequência prática é total. Luz não alimenta este coral, e ainda atrapalha: a faixa de trabalho vai de 0 a 75 µmol·m⁻²·s⁻¹ de PAR. O lugar dele é a sombra — sob saliência de rocha, na parede lateral, embaixo de uma placa, atrás da estrutura. Coral-sol montado em área iluminada tende a ficar fechado, coberto por alga e a perder tecido.

Alimentação: o que realmente decide

Cada pólipo precisa ser alimentado individualmente, quase todos os dias. Não existe atalho: colônia grande com dezenas de pólipos significa dezenas de entregas manuais. Uma colônia alimentada duas vezes por semana definha; a diferença entre um coral-sol que cresce e um que morre é a frequência.

A rotina prática: desligue as bombas de circulação, aguarde os pólipos abrirem e entregue alimento carnudo com pipeta ou seringa em cada pólipo aberto, um a um. Muitos aquaristas usam um recipiente invertido sobre a colônia para conter o alimento e prolongar o tempo de contato.

Colônia recém-chegada costuma não abrir. Nesse caso, alimente com as luzes apagadas e sem circulação, no mesmo horário todos os dias: o coral responde à rotina e passa a abrir antecipando a alimentação.

O preço escondido: carga orgânica

Alimentar um coral quase todo dia é, do ponto de vista do sistema, o mesmo que adicionar ração diária sem peixe para consumir. Isso se converte em nitrogênio e fósforo e aparece como aumento de nutriente, alga e turvamento, principalmente em aquários pequenos.

Quem mantém coral-sol precisa dimensionar a filtragem para isso: skimmer trabalhando bem, sifonagem do detrito acumulado ao redor da colônia e TPA em ritmo compatível com a alimentação. É honesto encarar o coral-sol como um bioload adicional, não como um enfeite.

Posição, fluxo e vizinhança

Posição de fundo, na sombra, com fluxo médio. O fluxo tem de ser suficiente para não deixar detrito acumular na base da colônia, mas não tão forte que arranque o alimento dos pólipos antes que seja ingerido — por isso a prática de desligar as bombas na hora de alimentar.

O coral é pacífico e não agride vizinhos, e a temperatura de trabalho é de 24 a 26 °C, com densidade de 1,023 a 1,026 e sistema mínimo de 114 litros. Vale evitar posicioná-lo acima de outros corais, pela sobra de alimento que cai.

Espécie invasora no Brasil: o que você precisa saber

Este é um ponto que nenhum guia brasileiro deveria omitir. Tubastraea coccinea e Tubastraea tagusensis são espécies exóticas invasoras no litoral brasileiro, presentes em cerca de 3.000 km de costa, e existe um Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do coral-sol conduzido pelo IBAMA.

Na prática, para o aquarista: nunca descarte fragmento, rocha, colônia ou água desse coral no mar, em rio, em praia ou na rede pluvial. Colônia indesejada deve ser passada para outro aquarista ou eliminada em resíduo seco, sem contato com corpo hídrico. Um único fragmento tem potencial de fundar população nova.

Propagação e sinais de que a rotina está funcionando

Coral-sol bem alimentado cresce e produz pólipos novos ao redor da base, e essas mudas podem ser destacadas com esqueleto e coladas em plug. A propagação aqui é consequência direta da alimentação, não da luz.

Os sinais de acerto são: pólipos abrindo espontaneamente no horário habitual da alimentação, tecido firme e laranja intenso entre os pólipos, e aparecimento de pólipos novos. Os sinais de erro são: pólipos que permanecem fechados por dias, tecido recuando e expondo esqueleto, e alga se instalando sobre a colônia.

Erro comumComprar coral-sol achando que a luz alimenta. Ele não é fotossintético: sem alimentação manual pólipo a pólipo quase diária, morre em semanas. E, ao contrário dos demais corais, ele quer sombra, abaixo de 75 de PAR.
Erro comumAlimentar com as bombas ligadas. O alimento é levado embora antes de o pólipo ingerir, e o coral come muito menos do que parece. Desligue a circulação, espere abrir e entregue pólipo a pólipo.
Erro comumDescartar fragmento, rocha ou água desse coral no mar ou na rede pluvial. Tubastraea coccinea e T. tagusensis são invasoras no Brasil, já em cerca de 3.000 km de costa e sob plano nacional de controle do IBAMA. Descarte apenas em resíduo seco.
O que este coral come?

Coral que não faz fotossíntese depende de você: precisa de alimento em partícula, oferecido pólipo a pólipo. É a diferença entre um coral bonito por meses e um coral que definha sem ninguém entender por quê. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

Perguntas frequentes

Coral-sol precisa de luz?

Não. Ele não tem zooxantelas e não faz fotossíntese. A faixa de trabalho vai de 0 a 75 de PAR, ou seja, sombra: sob saliência de rocha, parede lateral ou embaixo de placas. Luz forte favorece alga sobre a colônia.

Com que frequência preciso alimentar?

Quase todos os dias, pólipo a pólipo, com as bombas desligadas. Essa é a variável que decide se o coral cresce ou definha. Alimentação esporádica leva à perda de tecido em semanas.

Posso devolver ao mar um coral-sol que não quero mais?

Nunca. No Brasil ele é espécie exótica invasora sob plano nacional de controle do IBAMA, com presença já registrada em cerca de 3.000 km de costa. Repasse a outro aquarista ou descarte em resíduo seco, sem contato com o mar, rios ou rede pluvial.

Leve este guia com vocêBaixe o PDF para consultar offline, imprimir ou levar até a loja. É gratuito — pedimos só um cadastro rápido.

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Fontes: tidalgardens.com · www.gov.br