Como um coral come
Todo coral com zooxantelas tem duas fontes: a fotossíntese das algas simbiontes (energia de manutenção) e a captura ativa — tentáculos que agarram zooplâncton e partículas, muco que adere ao que passa, absorção direta de compostos dissolvidos. A proporção varia por família, e é ela que define o cardápio: um martelo com tentáculos carnudos engole um mysis inteiro; uma acropora de pólipos milimétricos só consegue capturar o que cabe neles — rotífero, náuplio, poeira de plâncton. Dar comida do tamanho errado não alimenta: vira detrito. A regra que organiza este guia inteiro: o tamanho da partícula segue o tamanho do pólipo.
| Grupo | O que come | Método | Frequência inicial |
|---|---|---|---|
| LPS (euphyllia, duncan, favia, acan) | Mysis, artêmia, krill picado, pellets de coral | Alvo | 2–3× por semana |
| SPS (acropora, montipora) | Rotífero, náuplio, pós finos, líquidos | Dispersão | Poucas× por semana → diário em dose leve |
| Moles e zoas | Partículas finas, plâncton, dissolvidos | Dispersão leve | 1–2× por semana |
| Não-fotossintéticos (Tubastraea, gorgônia azoo.) | Comida carnuda / plâncton — obrigatório | Alvo, pólipo a pólipo | Diário a dias alternados |
Alvo ou dispersão: cada um no seu papel
No alvo (seringa, pipeta ou baster): a comida vai direto aos tentáculos, quase nada se perde — é o método dos LPS e de qualquer coral que precise comprovadamente comer (um frag se recuperando, uma Tubastraea). A técnica: desligar ou reduzir o fluxo por alguns minutos, descongelar a comida em água do aquário, soltar a nuvem perto dos tentáculos (não em cima, que espanta) e religar o fluxo depois que a boca fechar. Peixe ladrão é o sabotador oficial do método — uma redoma improvisada (garrafa PET cortada) sobre o coral resolve. Na dispersão: alimento líquido ou em pó lançado na coluna com as bombas ligadas, alimentando de uma vez SPS, moles, filtradores e a microfauna. É o método certo para pólipo pequeno — e o mais fácil de exagerar, porque tudo que ninguém capturou vira nutriente dissolvido. Começar com metade da dose do rótulo e observar o teste da semana seguinte é prudência, não preguiça.
A hora certa e os aminoácidos
Muitos corais — LPS à frente — estendem os tentáculos de caça à noite: alimentar com a luz apagada, ou no último terço do fotoperíodo, encontra os pólipos abertos e o reflexo de captura ativo (vale acender uma lanterna fraca e conferir quem está "de mão estendida"). Os aminoácidos engarrafados têm papel real porém coadjuvante: são tijolo de proteína absorvido pelo tecido, úteis em sistemas de nutrientes baixos e SPS exigentes — mas não substituem partícula: coral também precisa do pacote completo da presa. E uma conexão que poupa dinheiro: aquário que alimenta peixes generosamente já alimenta corais — fezes de peixe e restos finos são captura legítima; sistemas com peixes bem nutridos pedem menos suplemento de coral, não mais.
O teto: nutrir sem poluir
Toda comida que entra vira, no fim da linha, nitrato e fosfato — o guia de NO3 e PO4 no reef define as faixas-alvo. O ciclo virtuoso: alimentar, medir na semana, ajustar. Subiu além da faixa? Corta-se a frequência ou a dose — não se compensa comida demais com mídia removedora em dose máxima, que é trocar um problema por dois. Skimmer afinado, filtragem mecânica trocada em dia e TPA regular são o que compram margem para alimentar mais. E o sinal de sucesso não é pólipo gordo no dia seguinte: é tendência — cor encorpando, esqueleto crescendo, tecido cobrindo base — medida em semanas.
Perguntas frequentes
Coral precisa mesmo ser alimentado, ou a luz basta?
Para a maioria dos fotossintéticos, a luz cobre a manutenção — a zooxantela paga a conta de energia. Mas crescimento, cor e recuperação melhoram com comida de verdade: coral é animal, e a captura de alimento fornece o que a fotossíntese não entrega. LPS carnudos e corais não-fotossintéticos (Tubastraea, gorgônias azooxanteladas) dependem de alimentação direta; SPS e moles se beneficiam de partículas finas e plâncton em suspensão.
Alimentar no alvo ou dispersar no aquário?
Os dois têm papel. Alvo (seringa/pipeta com fluxo reduzido): LPS de boca grande e qualquer coral que precise comprovadamente comer — quase nada se desperdiça. Dispersão (alimento líquido ou em pó na coluna): SPS, moles e filtradores que capturam partícula fina — com a contrapartida de mais nutriente na água. Regra prática: quanto maior a boca, mais o alvo compensa; quanto menor o pólipo, mais a dispersão faz sentido.
Com que frequência alimentar cada tipo?
Referência para começar (ajustando pelos nutrientes): LPS carnudos, 2 a 3 vezes por semana no alvo; SPS, partícula fina algumas vezes por semana — sistemas maduros toleram até diário em dose pequena; moles e zoas, 1 a 2 vezes por semana ou só o que capturam da coluna. Melhor horário: luz apagada ou fim do fotoperíodo, quando os pólipos de caça estendem. E o teto de tudo: NO3 e PO4 dentro da faixa — subiu, corta a frequência.
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O que do catálogo alimenta coral?
Alimento de coral entra como complemento, não como base: a maior parte da energia de um coral fotossintético vem da luz. Excesso de alimento vira nutriente na água e alimenta alga, que é o problema oposto ao que se queria resolver. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.
Fontes: TFH Magazine — Feeding Corals in the Reef Tank · TLCV — Feeding Strategies for SPS, LPS and Soft Corals · Reefco — Target vs Broadcast Feeding