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Alimentar corais: quem come o quê, quando e quanto

Publicado em 28 de agosto de 2026 · leitura de 9 min

Coral com tentáculos de alimentação estendidos à noite, capturando partículas na coluna d'água escura

Coral é animal — parente da água-viva, com tentáculos, boca e estômago — e mesmo assim passa a vida sendo tratado como planta de luxo: luz boa e pronto. A zooxantela de fato paga a maior parte da conta energética dos fotossintéticos, mas fotossíntese não entrega tudo: aminoácido, nitrogênio, lipídio de presa. A diferença entre coral que sobrevive e coral que cresce com cor cheia passa, com frequência, pelo cardápio — e a arte é nutrir os corais sem fertilizar as algas.

Resumo rápido

Quem come o quê: LPS de boca grande (euphyllia, duncan, favia, acan) pegam comida de verdade — mysis, artêmia, pedaços — no alvo, 2–3× por semana. SPS capturam partícula fina: pós de plâncton, rotífero, alimento líquido dispersado, algumas vezes por semana a diário em dose pequena. Moles e zoas vivem bem de luz e do que flutua — 1–2× por semana é teto. Não-fotossintéticos (Tubastraea, gorgônias sem zooxantela) dependem de alimentação — sem ela, definham. Melhor hora: escuro, com pólipos de caça abertos e fluxo reduzido temporariamente. O limite é o teste: NO3/PO4 subindo é sinal de cortar dose, não de comprar mídia removedora.

Como um coral come

Todo coral com zooxantelas tem duas fontes: a fotossíntese das algas simbiontes (energia de manutenção) e a captura ativa — tentáculos que agarram zooplâncton e partículas, muco que adere ao que passa, absorção direta de compostos dissolvidos. A proporção varia por família, e é ela que define o cardápio: um martelo com tentáculos carnudos engole um mysis inteiro; uma acropora de pólipos milimétricos só consegue capturar o que cabe neles — rotífero, náuplio, poeira de plâncton. Dar comida do tamanho errado não alimenta: vira detrito. A regra que organiza este guia inteiro: o tamanho da partícula segue o tamanho do pólipo.

GrupoO que comeMétodoFrequência inicial
LPS (euphyllia, duncan, favia, acan)Mysis, artêmia, krill picado, pellets de coralAlvo2–3× por semana
SPS (acropora, montipora)Rotífero, náuplio, pós finos, líquidosDispersãoPoucas× por semana → diário em dose leve
Moles e zoasPartículas finas, plâncton, dissolvidosDispersão leve1–2× por semana
Não-fotossintéticos (Tubastraea, gorgônia azoo.)Comida carnuda / plâncton — obrigatórioAlvo, pólipo a pólipoDiário a dias alternados

Alvo ou dispersão: cada um no seu papel

No alvo (seringa, pipeta ou baster): a comida vai direto aos tentáculos, quase nada se perde — é o método dos LPS e de qualquer coral que precise comprovadamente comer (um frag se recuperando, uma Tubastraea). A técnica: desligar ou reduzir o fluxo por alguns minutos, descongelar a comida em água do aquário, soltar a nuvem perto dos tentáculos (não em cima, que espanta) e religar o fluxo depois que a boca fechar. Peixe ladrão é o sabotador oficial do método — uma redoma improvisada (garrafa PET cortada) sobre o coral resolve. Na dispersão: alimento líquido ou em pó lançado na coluna com as bombas ligadas, alimentando de uma vez SPS, moles, filtradores e a microfauna. É o método certo para pólipo pequeno — e o mais fácil de exagerar, porque tudo que ninguém capturou vira nutriente dissolvido. Começar com metade da dose do rótulo e observar o teste da semana seguinte é prudência, não preguiça.

A hora certa e os aminoácidos

Muitos corais — LPS à frente — estendem os tentáculos de caça à noite: alimentar com a luz apagada, ou no último terço do fotoperíodo, encontra os pólipos abertos e o reflexo de captura ativo (vale acender uma lanterna fraca e conferir quem está "de mão estendida"). Os aminoácidos engarrafados têm papel real porém coadjuvante: são tijolo de proteína absorvido pelo tecido, úteis em sistemas de nutrientes baixos e SPS exigentes — mas não substituem partícula: coral também precisa do pacote completo da presa. E uma conexão que poupa dinheiro: aquário que alimenta peixes generosamente já alimenta corais — fezes de peixe e restos finos são captura legítima; sistemas com peixes bem nutridos pedem menos suplemento de coral, não mais.

O teto: nutrir sem poluir

Toda comida que entra vira, no fim da linha, nitrato e fosfato — o guia de NO3 e PO4 no reef define as faixas-alvo. O ciclo virtuoso: alimentar, medir na semana, ajustar. Subiu além da faixa? Corta-se a frequência ou a dose — não se compensa comida demais com mídia removedora em dose máxima, que é trocar um problema por dois. Skimmer afinado, filtragem mecânica trocada em dia e TPA regular são o que compram margem para alimentar mais. E o sinal de sucesso não é pólipo gordo no dia seguinte: é tendência — cor encorpando, esqueleto crescendo, tecido cobrindo base — medida em semanas.

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Erro comumAlimentar acropora com pedaço de camarão "para reforçar". O pólipo de SPS captura partícula fina — comida grande não é comida para ele, é detrito apodrecendo entre os galhos. Partícula do tamanho da boca, sempre.
Erro comumComprar coral não-fotossintético sem plano de alimentação. Tubastraea e gorgônias azooxanteladas não têm "modo luz": sem comida no alvo várias vezes por semana, definham em câmera lenta — a morte leva meses e parece misteriosa.
Erro comumDosar o rótulo inteiro de alimento líquido num sistema pequeno. Rótulo é dose máxima, não receita: o que ninguém capturou é NO3/PO4 na próxima medição. Meia dose, teste na semana, ajuste — nessa ordem.

Perguntas frequentes

Coral precisa mesmo ser alimentado, ou a luz basta?

Para a maioria dos fotossintéticos, a luz cobre a manutenção — a zooxantela paga a conta de energia. Mas crescimento, cor e recuperação melhoram com comida de verdade: coral é animal, e a captura de alimento fornece o que a fotossíntese não entrega. LPS carnudos e corais não-fotossintéticos (Tubastraea, gorgônias azooxanteladas) dependem de alimentação direta; SPS e moles se beneficiam de partículas finas e plâncton em suspensão.

Alimentar no alvo ou dispersar no aquário?

Os dois têm papel. Alvo (seringa/pipeta com fluxo reduzido): LPS de boca grande e qualquer coral que precise comprovadamente comer — quase nada se desperdiça. Dispersão (alimento líquido ou em pó na coluna): SPS, moles e filtradores que capturam partícula fina — com a contrapartida de mais nutriente na água. Regra prática: quanto maior a boca, mais o alvo compensa; quanto menor o pólipo, mais a dispersão faz sentido.

Com que frequência alimentar cada tipo?

Referência para começar (ajustando pelos nutrientes): LPS carnudos, 2 a 3 vezes por semana no alvo; SPS, partícula fina algumas vezes por semana — sistemas maduros toleram até diário em dose pequena; moles e zoas, 1 a 2 vezes por semana ou só o que capturam da coluna. Melhor horário: luz apagada ou fim do fotoperíodo, quando os pólipos de caça estendem. E o teto de tudo: NO3 e PO4 dentro da faixa — subiu, corta a frequência.

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O que do catálogo alimenta coral?

Alimento de coral entra como complemento, não como base: a maior parte da energia de um coral fotossintético vem da luz. Excesso de alimento vira nutriente na água e alimenta alga, que é o problema oposto ao que se queria resolver. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

Fontes: TFH Magazine — Feeding Corals in the Reef Tank · TLCV — Feeding Strategies for SPS, LPS and Soft Corals · Reefco — Target vs Broadcast Feeding