Como se faz o teste
Tire a mangueira do aquário e ponha a ponta numa seringa ou proveta. Peça à bomba o volume que ela dosa num dia inteiro — não 1 mL — e meça o que saiu. Peça um volume grande de propósito: o erro do seu instrumento de medida é fixo em mililitros, então quanto maior o volume pedido, menor ele fica em porcentagem. É isso que o campo do menor traço calcula, e é a diferença entre medir a bomba e medir a seringa.
Antes de calibrar mangueira nova, deixe a bomba rodar de 15 a 30 minutos na velocidade de trabalho: a Cole-Parmer chama isso de amaciamento, e a mangueira só estabiliza a vazão depois dele. Calibrar antes é gravar um número que vai mudar sozinho.
Como calculamos
Tudo aqui é aritmética e se refaz no papel. O erro de calibração é o volume medido dividido pelo pedido, menos um. A dose real é a programada vezes essa razão. A deriva é a diferença entre as duas convertida em alcalinidade: mililitros a mais ou a menos, divididos pelo rendimento do produto, corrigidos pelo seu volume — deriva = (dose × erro ÷ rendimento) × 100 ÷ litros. O prazo é o limiar do teste dividido pela deriva diária.
Não há constante nossa nesta página. Toda a química mora no rendimento do rótulo que você informou, e por isso ela funciona com qualquer produto de qualquer marca — inclusive com soluções caseiras, se você souber o rendimento delas.
Por que o prazo, e não a porcentagem
Porcentagem de erro não diz nada sozinha. Dois por cento numa bomba que dosa 3 mL/dia é ruído; dois por cento numa que dosa 80 mL/dia num aquário pequeno é uma correção por semana. O que traduz o desvio em consequência é a alcalinidade, e o que traduz a alcalinidade em decisão é quando você vai conseguir enxergá-la — porque até lá o número que o seu teste devolve é o mesmo com bomba certa ou errada.
É por isso que a página devolve dois prazos e diz qual é o conservador. O colorímetro HI772 da Hanna mostra passos de 0,1 dKH — abaixo disso a mudança simplesmente não aparece no visor — e declara exatidão de ±0,3 dKH ±5% da leitura. O piso real de detecção fica entre os dois: boa parte do erro declarado é sistemático e se cancela quando você compara duas leituras do mesmo aparelho, mas a Hanna não publica repetibilidade separada, então não temos como cravar onde. Publicamos os dois e usamos o de 0,3 dKH como o prazo em que dá para afirmar.
O que esta página se recusa a fazer
Ela não tem um "erro típico de bomba dosadora", e não é esquecimento. Procuramos: a Cole-Parmer, que fabrica bomba peristáltica de laboratório, não publica porcentagem de exatidão e diz que ela "não vem automaticamente — depende de instalação, calibração e do cuidado com a mangueira". A Bulk Reef Supply, no material de bombas de dosagem do hobby, também não publica número: recomenda recalibrar periodicamente porque "a mangueira peristáltica se desgasta com o tempo e afeta lentamente a precisão". Nenhuma das duas dá o número, então nós também não damos — o erro é o que você mediu, e é a única fonte honesta que existe para ele.
Ela também não manda você pesar o líquido, que seria o método mais exato. Pesar converte massa em volume dividindo pela densidade, e solução de balling não é água: cloreto de cálcio concentrado passa de 1,2 g/mL. Aplicar a equivalência de 1 g para 1 mL num líquido desses erra na mesma ordem de grandeza do desvio que você está tentando medir — a recomendação de laboratório é correta lá e não atravessa para cá sem a densidade junto.
Perguntas frequentes
Com que frequência preciso recalibrar a bomba dosadora?
Não existe um intervalo publicado, e quem fabrica não promete um: a Cole-Parmer diz que a fadiga da mangueira altera a vazão ao longo do tempo e recomenda um cronograma de troca por horas de uso, sem citar número; a BRS diz para recalibrar periodicamente pelo mesmo motivo. O que dá para calcular é o inverso, e é o que esta página faz: com o erro que você mediu hoje, em quantos dias a deriva vira visível. Esse prazo é o seu intervalo — recalibrar depois dele é descobrir o problema pelo sintoma.
Um erro de 2% importa?
Depende de quanto a bomba entrega por dia, e é por isso que a resposta é uma conta. Num sistema que repõe 1 dKH por dia, 2% são 0,02 dKH por dia: invisível em qualquer teste hoje, e 0,6 dKH em um mês — uma queda que costuma ser atribuída a consumo do coral, e não à bomba.
Meu kit de gotas serve para isso?
Para acompanhar a tendência, sim, desde que seja sempre o mesmo kit e o mesmo lote. Para comparar com o número de outra pessoa, não: Dana Riddle mediu quatro kits contra titulação padrão e achou desvios de 11%, 10%, 19% e 32% — os dois melhores erraram cerca de um décimo. Um desvio sistemático não atrapalha ver uma mudança no seu próprio kit; ele atrapalha ver o valor. Esta página fala de mudança, e é por isso que o prazo é a resposta certa.
A minha medição do teste também pode estar errada?
Pode, e a página confere. Uma seringa que lê a cada 0,5 mL não distingue nada abaixo de 0,5 mL: pedindo 10 mL, ela não enxerga erro menor que 5%. Se o desvio que você achou é menor que a resolução da sua própria medida, você não mediu a bomba, mediu a seringa — e a página diz qual volume pedir no próximo teste para enxergar o que quer enxergar.
De onde vêm os números
A conta é aritmética pura, e está escrita acima em uma linha. Não há constante da casa aqui: a química inteira mora no rendimento do rótulo que você informou.
Os limiares do teste são de fabricante. A Hanna Instruments publica, para o HI772, faixa de 0,0 a 20,0 dKH, resolução de 0,1 dKH e exatidão de ±0,3 dKH ±5% da leitura a 25 °C. São esses dois números — e só eles — que a página usa como régua.
A dispersão entre kits é medida, e entra por outro motivo. Dana Riddle comparou quatro kits de alcalinidade contra titulação padrão (Reefkeeping, 2007): Salifert reportou 3,39 contra 3,05 meq/L do método padrão (+11%), Seachem ficou dentro de ~10%, Red Sea saiu 19% baixo e Tetra 32% alto. Isso não vira limiar nesta página, e a distinção importa: desvio sistemático atrapalha comparar o seu número com o de outra pessoa, não atrapalha ver a sua própria mudança. Está aqui para dizer por que a resposta é um prazo de mudança, e não um valor.
O procedimento e o desgaste da mangueira vêm da Cole-Parmer, que fabrica bomba peristáltica de laboratório: amaciamento de 15 a 30 minutos antes da primeira calibração, troca de mangueira por cronograma porque "a fadiga afeta a vazão ao longo do tempo", e o método volumétrico como o simples — menos exato que o gravimétrico, que aqui não serve sem a densidade. No hobby, a Bulk Reef Supply diz o mesmo em uma frase: recalibrar periodicamente, porque a mangueira se desgasta e afeta lentamente a precisão.
Fontes: Especificação do HI772 (Hanna Instruments) · Comparação de kits de alcalinidade (Dana Riddle, Reefkeeping, 2007) · Dispensação exata com bomba peristáltica (Cole-Parmer) · Bombas de dosagem para reef (Bulk Reef Supply)