Os alvos — e a divergência honesta entre escolas
A tabela-âncora do aquacalc é a de Randy Holmes-Farley ("Optimal Parameters for a Coral Reef Aquarium"), com a água do mar natural (NSW) como referência de sanidade:
| Parâmetro | Água do mar | Alvo (Holmes-Farley) | Escola ATI |
|---|---|---|---|
| Salinidade | 34–36 ppt | 35 ppt (SG 1,0264 a 25 °C) | 1,024–1,026 |
| Temperatura | — | 24,4–27,8 °C | 23,9–25,6 °C |
| KH | 6,5 dKH | 7–11 dKH | 8–12 dKH |
| Cálcio | 420 ppm | 400–550 ppm | 400–450 ppm |
| Magnésio | 1280 ppm | 1250–1400 ppm | 1250–1350 ppm |
| pH | 8,0–8,3 | 7,8–8,55 (estável) | — |
| Nitrato | < 0,1 ppm | 5–50 ppm | 0,025–5 ppm |
| Fosfato | ~0,005 ppm | 0,06–0,3 ppm | 0,02–0,05 ppm |
| Potássio | 400 ppm | 380–420 ppm | — |
Repare onde as escolas quase não se sobrepõem: nutrientes. A ATI carrega os alvos da era do "ultra low nutrient"; Holmes-Farley subiu os dele depois que ficou claro que nutriente zerado esfomeia coral e convida dinoflagelado — a história completa está no guia de nitrato e fosfato. Nos secundários, a regra de ouro dele: estrôncio (5–15 ppm) só se doseia com teste mostrando queda, e iodo tem benefício de dosagem não provado — dosar traço sem medir é como temperar comida de olhos vendados. E dois "parâmetros" que o iniciante mede demais: amônia e nitrito são teste de ciclagem; num reef estabelecido, medi-los toda semana é ansiedade, não manutenção.
A frequência que faz sentido
| Parâmetro | Frequência (ATI) | Por quê |
|---|---|---|
| KH | 1–2× por semana (2× com SPS) | É o que mais varia e o que mais machuca quando foge |
| Nitrato e fosfato | Semanal | Tendência decide intervenção |
| Cálcio | Semanal | Acompanha o KH na dosagem |
| Magnésio | Quinzenal | Cai devagar; é o "estabilizador" dos outros dois |
| Salinidade | Semanal + a cada TPA | Erro de TPA é o acidente mais comum |
| Temperatura | Diária (olhar o termômetro) | Falha de aquecedor mata em horas |
Aquário novo testa mais (e amônia/nitrito entram durante a ciclagem); aquário maduro com histórico estável pode espaçar. O princípio por trás da tabela: teste serve para desenhar tendência — cinco medições espaçadas contam uma história; uma medição isolada conta um boato.
Kit de gota, checker, ICP: a precisão real
O kit colorimétrico de gotas é a porta de entrada e segue útil — seu limite é o olho: comparar tom de rosa contra cartela tem resolução honesta de "faixa", não de número. O degrau seguinte são os colorímetros digitais: o Hanna de alcalinidade (HI772) lê com exatidão de ±0,3 dKH ±5%, e o de fosfato ultra-baixo (HI774) chega a ±0,02 ppm ±5% — os dois vendidos no Brasil pela operação nacional da Hanna. Para quem doseia diariamente contra um alvo, é a diferença entre pilotar por instrumento e por impressão.
A ICP-OES é outro animal: um espectrômetro de laboratório que lê dezenas de elementos — cálcio, magnésio, potássio, estrôncio, e principalmente os traços e contaminantes que nenhum kit doméstico enxerga (cobre de encanamento, estanho, alumínio de mídia vagabunda). O que quase ninguém lê na propaganda: ICP não mede compostos. KH, nitrato, fosfato e amônia — o feijão com arroz do hobby — não saem do plasma; quando aparecem no relatório, vieram de frascos extras analisados por outros métodos. E os traços têm barra de erro real: no comparativo de Sanjay Joshi (a mesma água mandada a 5 laboratórios), o iodo variou dez vezes entre labs — 62 a 661 ppb. A leitura madura: ICP serve para tendência e triagem ("meu estanho triplicou desde a última"), não para perseguir o segundo decimal de um traço.
ICP no Brasil
A logística deixou de ser desculpa: a Triton South America processa análises inteiramente no Brasil (45 elementos, mais o teste N-DOC de nitrogênio e carbono orgânico, com resultado em 1–3 dias úteis da chegada da amostra), e a ReefVSOL — laboratório nacional — cobre 35+ parâmetros com kit via Correios. Kits das europeias Fauna Marin e Aquaforest são vendidos em loja brasileira, com a amostra viajando para o exterior. Frequência com bom custo-benefício: trimestral, ou diante de sintoma sem explicação — coral definhando com o painel doméstico impecável é exatamente o caso de uso da ICP.
Os erros de medição que enganam o painel inteiro
Quatro clássicos, todos documentados: refratômetro calibrado só no zero com água RO — a maioria dos refratômetros do hobby é de salmoura, e zerado ele ainda erra na faixa que interessa; afira com padrão de 35 ppt (detalhes no guia de salinidade). Reagente vencido — kit de gota tem validade curta depois de aberto, e reagente velho erra calado. Medir logo depois de dosar — espere ~30 minutos de circulação, ou você mede a nuvem da dose, não o aquário. E o pior: corrigir com base numa única medição. Resultado estranho se confere com segundo teste (outro kit, outro método) antes de qualquer frasco ser aberto — metade das "quedas bruscas de KH" da internet era kit ruim.
Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo devo testar cada coisa?
KH 1–2× por semana (2× se o aquário é de SPS ou a dosagem mudou), cálcio e nutrientes semanais, magnésio quinzenal, salinidade a cada TPA, temperatura todo dia no olhar. Aquário novo testa mais; maduro e estável, menos. ICP: trimestral ou diante de mistério.
Vale a pena o colorímetro digital ou fico nos kits de gota?
Depende do que você pilota. Quem doseia KH diariamente contra alvo se beneficia muito do número (±0,3 dKH) no lugar do tom de cor; fosfato em reef pede o ULR (±0,02 ppm) porque a faixa útil é estreita demais para cartela. Para nitrato e magnésio, kits de gota de boa marca seguem honestos.
A ICP substitui meus testes semanais?
Não — ela os complementa. A ICP não mede KH, nitrato, fosfato nem amônia (compostos), e nos traços a variação entre laboratórios chega a 10×, então o valor dela está na tendência entre análises e na triagem de contaminantes. O painel semanal continua sendo o volante do aquário.
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O que existe no catálogo para medir o reef?
O painel mínimo do reef: salinidade aferida em padrão 35 ppt, KH com resolução de decimal, e nitrato/fosfato semanais. Teste é o único produto do aquário que paga o próprio preço — cada frasco dosado sem medir custa mais que o kit. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.
De onde vêm os números
As faixas-alvo são as de Randy Holmes-Farley — parâmetros ótimos para um aquário de recife, que é a referência que este site adota para água de recife e a mesma usada na trilha e na tríade. Onde a página dá uma faixa em vez de um número, é porque a fonte dá uma faixa — estreitar seria invenção nossa.
A frequência de teste é decisão de manejo, não medição. KH uma a duas vezes por semana, cálcio semanal, magnésio quinzenal: isso sai da velocidade de consumo de cada parâmetro, não de um estudo. O KH lidera porque é o que mais se move e o que mais mata coral quando foge — e essa hierarquia é consenso técnico, apresentado aqui como tal.
Sobre os ICP: os nomes de laboratório citados são exemplos de serviço, não endosso, e as divergências entre laboratórios que a página menciona são o motivo de o texto recomendar acompanhar a tendência de um mesmo laboratório em vez de comparar valores absolutos entre eles. Não temos, e não publicamos, um número de incerteza por laboratório: não achamos essa medição publicada.