O diagnóstico: fio simples ou pluma?
Puxe um tufo com a pinça e olhe de perto (lupa ajuda). GHA — "green hair algae", um coletivo de gêneros como Derbesia — é fio fino, simples, sem arquitetura, que desprende com facilidade. Bryopsis tem projeto: uma haste central com ramificações laterais em pares, formato de pena, pluma ou samambaia; agarra na rocha com força e, arrancada, volta em dias a partir do que ficou. Dois comportamentos completam a triagem: a equipe de limpeza pasta GHA e contorna bryopsis (ela produz compostos que a tornam impalatável), e o manejo de nutrientes que emagrece a GHA mal arranha a bryopsis. Se o seu "GHA" sobreviveu a um mês de manejo correto e herbívoros com fome, pare e olhe de novo: provavelmente você está na guerra errada.
| Critério | GHA (cabeluda comum) | Bryopsis |
|---|---|---|
| Estrutura | Fio simples, sem haste | Pluma: haste central + ramos |
| Fixação | Solta fácil | Firme; rebrota do que fica |
| Herbívoros | Comem | Evitam |
| Corte de nutrientes | Funciona (com o resto) | Pouco efeito |
| Arma decisiva | Manejo em três frentes | Fluconazol |
GHA: a guerra em três frentes simultâneas
Frente 1 — nutrientes na faixa, não no zero. A referência da BRS: fosfato entre 0,02 e 0,06 ppm, nitrato entre 5 e 10 ppm. O caminho é atacar a fonte — alimentação com medida, filtragem mecânica trocada antes de apodrecer, exportação funcionando (skimmer, refúgio, TPA) e água de reposição RO/DI de verdade, porque torneira realimenta o problema. O que não fazer está no guia da fase feia: zerar nutrientes de supetão é o gatilho mais bem documentado de surto de dinoflagelado — trocar alga chata por praga séria é péssimo negócio.
Frente 2 — remoção manual do jeito certo. A técnica da BRS é "pinçar e sifonar": arrancar os tufos com os dedos ou pinça com o sifão ligado ao lado, levando os fragmentos para fora do sistema. Nunca esfregar — escova espalha fragmento, e fragmento de alga é muda grátis. Cada sessão remove biomassa que os herbívoros não dariam conta e expõe a base do tufo para eles terminarem.
Frente 3 — equipe de limpeza dimensionada. Os que trabalham de verdade contra GHA, na lista da BRS: ouriços (tuxedo, pincushion), turbo mexicano, trochus, astraea, abalone e — onde o litro comporta — tangs e rabbitfish (foxface). Blenny herbívoro ajuda no fino. A conta honesta: equipe de limpeza mantém aquário limpo, não limpa aquário tomado — nas infestações grandes, primeiro a remoção manual derruba o grosso, depois o rebanho segura o terreno. E lembre que cada boca dessas também é biocarga: superpovoar de caramujo hoje é caramujo morto elevando nutriente amanhã.
Bryopsis: o caso do antifúngico que virou herbicida
A descoberta veio da comunidade e se consolidou em milhares de relatos: o fluconazol, antifúngico humano, mata bryopsis por dentro — sem arrancar, sem esfregar, sem caramujo heroico. O protocolo comunitário documentado (Reef Hacks, fóruns): ~20 mg por galão — 5 mg por litro —, dose única no sistema, com três preparos: TPA antes (nitrato tende a subir quando a massa morre), carvão ativado fora do sistema durante o tratamento e skimmer sem coletar (desligado ou de copo seco) ao menos nos primeiros 3 dias, porque carvão e skimmer removem o princípio ativo. Então, a parte difícil: esperar 14 dias sem TPA. A alga amarela, afina e desmancha ao longo de uma a três semanas; ao final, TPA generosa, carvão de volta e a equipe de limpeza recolhe os restos. Tolerância: com a dose certa, o histórico em peixes, corais e invertebrados é bom — os problemas aparecem em sobredose e em repetições encadeadas. Atenção ao refúgio: Caulerpa e outras macroalgas verdes são parentes próximas e podem ir junto. Se a bryopsis voltar meses depois, a pergunta certa não é "posso dosar de novo?" — é "que fonte de nutrientes continua alimentando o terreno?".
Perguntas frequentes
Como sei se é alga cabeluda comum ou bryopsis?
Olhe a arquitetura do tufo: a cabeluda comum (GHA) é fio simples, sem estrutura, que sai fácil quando puxada. Bryopsis tem haste central com ramificações laterais — formato de pluma ou samambaia —, segura firme na rocha e volta dias depois de arrancada. O comportamento confirma: GHA cede quando nutrientes caem e a equipe de limpeza trabalha; bryopsis ignora as duas coisas.
Qual a dose de fluconazol para bryopsis?
A referência comunitária consolidada é ~20 mg por galão (5 mg por litro), dose única, com carvão ativado removido e skimmer sem coletar (úmido desligado ou copo seco nos primeiros dias). Deixe agir por 14 dias sem TPA, depois retome trocas e carvão. A bryopsis amarela e desmancha ao longo de 1 a 3 semanas. TPA antes de tratar ajuda, porque nitrato tende a subir quando a massa de alga morre.
Fluconazol é seguro para corais e peixes?
O histórico comunitário com a dose padrão é de boa tolerância por peixes, corais e invertebrados — os relatos de problema aparecem com sobredose ou repetições seguidas. Duas ressalvas práticas: macroalgas desejadas (Caulerpa e parentes da bryopsis) também podem morrer, inclusive no refúgio; e o remédio suprime, não substitui o manejo — sem controle de nutrientes, o terreno continua fértil para a próxima alga.
Leve este guia com vocêBaixe o PDF para consultar offline, imprimir ou levar até a loja. É gratuito — pedimos só um cadastro rápido.
Fontes: BRS — Get Rid of Green Hair Algae for Good · Reef Hacks — Bryopsis & Fluconazole Dosage · Reef2Reef — My Battle With Bryopsis Using Fluconazole