A sucessão: o que vem, e quando
Um estudo de acompanhamento da Bulk Reef Supply com 12 aquários novos (o "BRS Biome") pôs números no folclore. As diatomáceas chegam primeiro — nas primeiras semanas, alimentadas pelo silicato do sal novo, da rocha e da água — e costumam ir embora sozinhas em 2 a 4 semanas (nos tanques do estudo, muitas vezes em ~7 dias). A cianobactéria apareceu em todos os 12 aquários em algum momento, com um padrão revelador: frequentemente logo depois de outra praga morrer, ocupando o espaço vago — dinâmica de competição, não simples "excesso de sujeira". Dinoflagelados e crisófitas (algas douradas) apareceram mais nas partidas estéreis: rocha seca, areia seca e nutrientes baixos. Não existe cronograma universal — o que existe são janelas e causas.
| Praga | Aparência | Teste rápido | Cede sozinha? |
|---|---|---|---|
| Diatomácea | Pó/filme marrom-claro em areia e vidro | Solta fácil, não volta em horas | Sim, 2–4 semanas |
| Cianobactéria | Manta lisa vinho/vermelha, odor forte | Sai em placas inteiras no sifão | Às vezes; semanas a meses |
| Dinoflagelado | Gosma/fios marrons com bolhas presas | Refaz-se em horas; some no escuro | Raramente — exige método |
O teste caseiro que separa dino de diatomácea sem microscópio: sifone um pouco da gosma para um copo, agite até desmanchar e deixe sob luz por uma hora. Se a nuvem se reaglomerar num glob, é dinoflagelado (o "teste do filtro de café" do guia de referência do Reef2Reef). E o diagnóstico definitivo custa pouco: um microscópio de estudante a 400× mostra na hora quem é quem — e, no caso do dino, qual é, o que muda o tratamento.
Cianobactéria: manejo, e a verdade sobre o Chemiclean
O manejo com consenso: sifonar as mantas (saem inteiras), aumentar fluxo nos pontos mortos, rever fotoperíodo longo e manter a exportação funcionando — a BRS recomenda, nos casos persistentes, 3 a 4 TPAs de 30% em duas semanas mais bactérias competidoras, e avisa que a recuperação biológica leva meses, não dias. Sobre a causa há divergência honesta que vale registrar: a escola clássica culpa nutriente alto com fluxo baixo; a BRS sustenta que nitrato e fosfato altos não são causa direta e que baixá-los nunca se provou cura. As duas concordam no que importa: zerar nutrientes não trata ciano — e prepara o terreno para coisa pior.
E o remédio milagroso? O fabricante do Chemiclean não revela o princípio ativo; um teste comunitário no Reef2Reef o comparou lado a lado com eritromicina (antibiótico) e o comportamento foi funcionalmente idêntico. A própria bula exige aeração forte, 48 horas de tratamento e TPA de 20% ao fim — e o guia de dinoflagelados do mesmo fórum documenta surtos de dino logo após o uso, porque o produto mata os competidores bacterianos junto. Antibiótico sem diagnóstico, num sistema que vive de bactéria: é a definição de último recurso. Só quando a ciano está sufocando coral, e sabendo o que vem depois.
Dinoflagelados: identificar o gênero muda o tratamento
Dino é a praga que pune o excesso de zelo: o gatilho clássico é nutriente zerado em sistema novo — GFO em dose máxima, TPAs seguidas, alimentação mínima. Com NO3 e PO4 no zero, alga e bactéria competidoras passam fome; o dinoflagelado, que caça nutriente de outras formas, herda o aquário — é a Lei do Mínimo decidindo a disputa pelo competidor que você não queria. A base de qualquer tratamento, consolidada no guia do Reef2Reef (destilado de mais de 11 mil posts): levar e manter NO3 em ~10 ppm e PO4 em ~0,1 ppm (dosando fosfato primeiro), cortar aminoácidos e comida de coral particulada, suspender limpezas profundas e adicionar diversidade biológica — rocha viva madura, copépodes, fauna de areia.
Daí em diante, o método depende de quem está no microscópio:
| Gênero (400×) | Comportamento | Arma principal |
|---|---|---|
| Ostreopsis, Prorocentrum, Coolia | Nadam para a coluna d'água à noite | UV dimensionado + nutrientes mensuráveis |
| Amphidinium (célula grande) | Vive agarrado à areia, não sobe | Silicato 0,5–1 ppm + diversidade (UV pouco ajuda) |
UV para os que nadam: o dimensionamento do guia é 1 W de UV para cada ~11 L, com vazão de 1 a 3 volumes por hora e lâmpada com menos de 12 meses — subdimensionado não faz nada, e é por isso que "já tentei UV" costuma significar "tentei um UV pequeno demais". Com o filtro certo, Ostreopsis pode sumir em dias. O blackout de 2 a 5 dias é coadjuvante: empurra o dino para a coluna, onde o UV o pega — sozinho, sem UV, raramente resolve.
Silicato para o Amphidinium de areia: o método divulgado pelo usuário taricha (Reef2Reef, 2018) vira o jogo cultivando o competidor: dosar silicato a 0,5–1 ppm mantidos faz as diatomáceas — feias, porém inofensivas — retomarem a areia e sufocarem o dino. Exige suspender o GFO (que adsorve silicato) e confirmar as diatomáceas no microscópio. Peróxido de hidrogênio 3% (1 mL/38 L a cada 12 h) circula como apoio; o próprio guia o lista como "funciona, mecanismo incerto" — prática contestada, não pilar.
Segurança: Ostreopsis produz análogos de palitoxina — toxinas já detectadas até em aerossol em episódios de maré. Num surto forte: carvão ativado trocado com frequência, mãos lavadas depois de mexer no aquário, e quem tem asma deve considerar desligar o skimmer durante o pico (há relatos de irritação respiratória). Não é pânico; é respeito por um organismo que fabrica uma das toxinas mais potentes que se conhece.
O erro que fabrica a praga seguinte
O fio que costura este guia inteiro: cada praga da fase feia ocupa um vazio. Diatomácea ocupa o vidro limpo do tanque novo; ciano ocupa o espaço da praga que você matou; dino ocupa o deserto de nutrientes que o excesso de limpeza criou. A resposta madura à fase feia é tirar o feio com o sifão, manter nutrientes mensuráveis, adicionar diversidade — e deixar a sucessão correr. Esterilizar é recomeçá-la do zero, geralmente num degrau pior.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a fase feia?
A janela típica começa nas primeiras 3 a 6 semanas depois da ciclagem. Diatomáceas se resolvem sozinhas em 2 a 4 semanas; ciano e dino não têm prazo fixo — dependem do manejo. Partidas com rocha viva madura tendem a atravessar mais rápido que partidas 100% estéreis (rocha e areia secas).
É diatomácea ou dinoflagelado?
Diatomácea é pó marrom que solta fácil no sifão e demora a voltar. Dino é gosma com bolhas presas que se refaz em horas e diminui no escuro. Na dúvida, o teste do copo (a gosma de dino se reaglomera sob luz em ~1 hora) ou um microscópio a 400× fecham a questão.
Meu aquário está maduro e a ciano voltou. Por quê?
Ciano não é exclusividade de tanque novo — ela ocupa vazios: um ponto morto de fluxo, matéria orgânica acumulada, uma praga que morreu, um fotoperíodo que cresceu. Procure o que mudou nas últimas semanas (bomba suja? alimentação nova? lâmpada trocada?) em vez de tratar como sorteio.
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O que existe no catálogo para a fase feia?
Contra dino que nada, UV se dimensiona por watts e vazão — subdimensionado é decoração. Bactérias repõem a diversidade que a partida estéril não tem, e o teste de NO3/PO4 é o que impede o erro que alimenta a praga: zerar. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.
De onde vêm os números
A sequência das fases é observação consolidada de aquarismo marinho, e a página a apresenta como cronologia típica, com faixas em vez de datas — porque nenhuma fonte publica um calendário fixo para ela, e um calendário fixo seria a parte mais fácil de falsear.
Sobre o peróxido de hidrogênio, a página faz questão de declarar o limite da evidência: a dose que circula (3 %, 1 mL por 38 L a cada 12 h) é apresentada com a etiqueta "funciona, mecanismo incerto" — prática contestada, não pilar. É por isso que o site não tem calculadora de peróxido: transformar em dose calculada daria à prática uma autoridade que a própria página nega que ela tenha.
O diagnóstico de diatomácea e dinoflagelado segue a mesma referência veterinária pública usada no resto do site para identificação, o Merck Veterinary Manual — doenças parasitárias de peixes, e a recomendação de confirmar no microscópio existe porque o olho não separa os dois casos com confiabilidade.
Os alvos de nitrato e fosfato citados vêm de Randy Holmes-Farley — parâmetros ótimos para um aquário de recife, e o argumento de que zerar é pior que manter tem dono no site: o guia de nitrato e fosfato.