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Lagostins e caranguejos: o que cabe num aquário — e o que a lei proíbe

Atualizado em 29 de agosto de 2026 · leitura de 7 min

Lagostim anão azul de garras erguidas sobre a areia, na frente de um cano de PVC que serve de toca, em aquário plantado

O lagostim mais famoso do mundo — o vermelho vivo que aparece em todo vídeo gringo de aquário — é ilegal no Brasil, e boa parte de quem o vende e compra por aqui não sabe. Este guia começa pela lei, porque nenhum parâmetro de água importa num animal que você não deveria ter, e segue para o que interessa: quais lagostins e caranguejos cabem de verdade num aquário doméstico, e as três regras de convivência que as fichas repetem uma a uma.

Resumo rápido

Procambarus clarkii é proibido no Brasil pela Portaria IBAMA nº 5/2008 — introdução, comércio, cultivo e transporte vedados em todo o território nacional. O marmorkrebs clona a si mesmo (um exemplar = uma população) e é banido na União Europeia: desaconselhado, mesmo sem norma federal específica. Os que cabem: o anão CPO (5 cm, 40 L), o azul-da-flórida e o hoa-creek entre os lagostins; pom-pom e micro-caranguejo-tailandês (totalmente aquáticos, 20 L) entre os caranguejos — e o vampiro, que é bicho de paludário, não de aquário cheio. As três regras universais: comem camarão, cortam planta, escalam — tampa vedada sempre.

Antes da ficha, a lei: o caso Procambarus clarkii

A Portaria IBAMA nº 5, de 28 de janeiro de 2008, veda em todo o território nacional "a introdução, reintrodução, importação, comercialização, cultivo e transporte de indivíduos vivos" do lagostim-vermelho-da-louisiana, e o artigo 4º proíbe a soltura em águas naturais. A exceção citada é a manutenção domiciliar do animal já em posse como pet — ou seja: quem já tem não é obrigado a sacrificar, mas comprar, vender, criar e transportar é infração.

O motivo está na biologia: onívoro voraz que escava, arranca plantas e reorganiza o aquário, com até 900 ovos por fêmea — e por isso invasor estabelecido em todos os continentes exceto Antártida e Oceania. A ficha dele existe no aquacalc como ficha de alerta, para quem pesquisar a espécie encontrar o aviso, não a receita.

O clone: marmorkrebs, o lagostim que não precisa de par

O lagostim-marmorizado (Procambarus virginalis) reproduz por partenogênese: a população é 100% fêmea e cada animal gera clones de si mesmo — um único exemplar solto num córrego funda uma população inteira. Por isso ele consta na lista de Espécies Exóticas Invasoras de Preocupação da União Europeia e é banido em vários estados dos EUA.

Honestidade sobre a lei brasileira: não localizamos norma federal específica para o marmorkrebs — a Portaria 5/2008 cita apenas o clarkii. Mas a ausência de portaria não muda a conta de risco, e este guia desaconselha a espécie sem rodeio: além do perigo ambiental, é um bicho que destrói plantas, escava e foge do aquário. Não compre, não repasse e jamais solte.

Os lagostins que cabem

CPO (lagostim-anão-laranja)5 cm, a partir de 40 L — o único "pacífico para um lagostim": convive com guppy, molly e micro-rasboras, mas ataca camarão em muda
Azul-da-flórida12 cm, 90 L por exemplar — muito agressivo e territorial; escavador e escalador; melhor sozinho
Hoa Creek (Cherax pulcher)12 cm, a partir de 60 L — solitário e territorial, porém menos agressivo que os grandes; destrói plantas vivas
Red claw (lagosta-australiana)O gigante do grupo — porte e exigências na ficha; mesmo pacote de regras: toca própria, tampa e nada de camarões

O padrão que as fichas repetem: cada exemplar precisa da própria toca (pedra, madeira, cano de PVC) — é na muda, quando o animal fica mole e indefeso, que a falta de esconderijo vira perda de patas ou morte. E o pitu-da-malásia (Macrobrachium rosenbergii), que aparece nas lojas como "camarão gigante", não é lagostim mas merece o aviso da ficha: 30 cm, predador, aquário de espécie única.

Os caranguejos: dois aquáticos, um de paludário

O pom-pom (2,5 cm, a partir de 20 L) é uma raridade dupla: totalmente aquático e pacífico — convive com peixes e camarões pacíficos. O micro-caranguejo-tailandês (carapaça de 1 cm, 20 L) é ainda mais discreto: tímido, noturno, passa o dia entre as plantas. Nenhum dos dois procria em cativeiro — as larvas do pom-pom exigem água salobra, e as do micro-caranguejo morrem nos primeiros dias — então o casal que você compra é o plantel que você terá.

O caranguejo-vampiro é outro animal: semiterrestre, de paludário — divide o tempo entre água e terra, e a área seca é obrigatória, não decorativa. Num aquário cheio até a borda ele não tem onde existir. Em compensação, é dos poucos com reprodução em água doce por desenvolvimento direto: a fêmea libera de 20 a 80 mini-caranguejos já formados. Pacífico com a própria espécie, territorial com outros caranguejos.

As três regras de convivência (que ninguém escapa)

1. Comem camarão. Todos os lagostins e a maioria dos caranguejos predam camarão, com risco máximo na muda — e o CPO, o mais manso, não é exceção: a ficha veta aquário de criação de camarões anões. Camarão e lagostim no mesmo vidro é uma decisão sobre quanto camarão você aceita perder.

2. Cortam planta. Azul-da-flórida, hoa-creek e marmorkrebs destroem plantas vivas — cortam mais do que comem. Aquário plantado com lagostim médio dura o tempo que o lagostim levar para redecorá-lo. As exceções parciais são o CPO e os caranguejos pequenos.

3. Escalam. "Foge do aquário" aparece nas fichas do azul-da-flórida, do hoa-creek e do pom-pom — o pom-pom é descrito como escapista excepcional, com instrução de vedar a tampa por completo, baixar o nível da água e esconder cabos, porque cabo e mangueira são escada. Um crustáceo fora d'água numa sala seca morre em horas.

Erro comum Comprar "um lagostinho para limpar o fundo". Lagostim não é equipe de limpeza: é um onívoro territorial que vai predar o que alcançar, escavar o substrato e podar o plantado. Para função de faxina, o caminho é outro — camarões limpadores e caramujos fazem o serviço sem redecorar o aquário.

Antes de comprar: confira se o volume comporta o bicho na calculadora de litragem e o que já mora no aquário na calculadora de lotação — lagostim e caranguejo mudam a conta de convivência, não só a de litros.

Perguntas frequentes

Lagostim é proibido no Brasil?

Uma espécie é: o lagostim-vermelho-da-louisiana (Procambarus clarkii). A Portaria IBAMA nº 5, de 28/01/2008, veda em todo o território nacional a introdução, importação, comercialização, cultivo e transporte de indivíduos vivos, e proíbe a soltura em águas naturais — a exceção citada é o animal já em posse como pet. As demais espécies do hobby não têm proibição federal específica localizada, mas o marmorkrebs é fortemente desaconselhado pelo risco de invasão por clonagem.

Lagostim pode viver com peixes e camarões?

Com camarões, não: lagostins e caranguejos comem camarão, especialmente na muda. Com peixes, quase nunca: os lagostins médios são agressivos e as fichas indicam no máximo peixes muito rápidos — ou aquário só para o lagostim. A exceção é o lagostim-anão CPO, de 5 cm, que convive com guppy, molly e micro-rasboras, mas nem ele é seguro num aquário de criação de camarões anões.

Qual caranguejo vive totalmente dentro da água?

O caranguejo-pom-pom e o micro-caranguejo-tailandês são as raridades totalmente aquáticas e pacíficas do hobby. O caranguejo-vampiro, ao contrário, é semiterrestre: exige paludário com área seca obrigatória, e num aquário cheio até a borda ele não sobrevive bem. Todos escalam — a tampa precisa ser completa, sem fresta de cabo ou mangueira.

Por que o lagostim marmorkrebs é tão problemático?

Porque ele se reproduz por partenogênese: a população é 100% fêmea e um único exemplar solto funda uma população inteira de clones. Por esse risco, a espécie consta na lista de Espécies Exóticas Invasoras de Preocupação da União Europeia e é banida em vários estados dos EUA. No Brasil não localizamos norma federal específica — a Portaria IBAMA 5/2008 cita apenas Procambarus clarkii — mas este guia desaconselha a espécie: jamais compre, solte ou repasse.

Leve este guia com vocêBaixe o PDF para consultar offline, imprimir ou levar até a loja. É gratuito — pedimos só um cadastro rápido.

O que do catálogo alimenta lagostim e caranguejo?

Alimento de fundo e pastilhas são a base, e o cálcio da dieta importa para a troca de casca. O que comida nenhuma resolve é a fuga: caranguejo sai por qualquer vão, e a tampa é parte do equipamento, não acessório. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

De onde vêm os números

As faixas de água saem do dataset de espécies do site, e ele não cita a si mesmo: são 219 espécies e todas as 219 declaram fonte própria — a predominante é o SeriouslyFish, com 172 delas, e o resto vem de FishBase e de criadores nacionais. A ficha de cada espécie mostra a fonte dela, e é ali que a faixa desta página se confere.

A litragem mínima segue a convenção do site, revista em 11/08: o cardume mínimo da espécie tem de caber na litragem mínima declarada. Foi essa revisão que expôs fichas gêmeas publicando litragens diferentes para o mesmo animal — e o conserto valeu para as 219.

O que é manejo, e a página apresenta como tal: companheiros sugeridos, ordem de introdução, ritmo de povoamento e rotina de alimentação. É curadoria — não medição, e é onde duas pessoas experientes podem discordar sem que nenhuma esteja errada.

E os ponteiros internos: