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Guaru (barrigudinho): cuidados e criação

Publicado em 27 de agosto de 2026 · leitura de 5 min

Guaru de corpo oliva com mancha escura no flanco nadando sobre areia clara num aquário plantado simples

O guaru é o vivíparo que o Brasil tinha antes de importar o guppy: nativo do litoral, de vala, canal e restinga, do Ceará ao Rio Grande do Sul. É provavelmente o peixe mais rústico que cabe num aquário comunitário — aguenta água dura, alcalina e até levemente salobra — e se reproduz em casa sem que ninguém peça. Este guia organiza o manejo em volta das duas decisões que importam: a água certa (que é o oposto da amazônica) e a proporção de machos e fêmeas.

Resumo rápido

O Poecilia vivipara chega a ~8 cm (fêmea; o macho é bem menor) e vive a partir de 54 litros, entre 22 e 28 °C, em água dura e alcalina (pH 7,0–8,2, GH 10–40) — tolera até meia água salobra. Pacífico e gregário: mantenha 1 macho para 2 ou 3 fêmeas, porque o macho corteja sem descanso. É vivíparo: cerca de 28 dias de gestação e ninhadas de dezenas de filhotes que nascem nadando. Onívoro, come qualquer alimento de porte pequeno.

Nome científicoPoecilia vivipara
OrigemLitoral do Brasil (do Nordeste ao Sul)
Porte adulto~7,8 cm
Litragem mínima54 L (cardume de 3)
Temperatura22–28 °C
pH7,0–8,2
Dureza (GH)10–40 °dGH
TemperamentoPacífico e gregário
DietaOnívoro
NívelIniciante

A água: dura, alcalina — e o erro do aquário amazônico

O guaru vem de vala de restinga e canal de maré: água dura, alcalina e às vezes salobra. No aquário, isso vira uma regra simples: pH de 7,0 para cima e GH generoso — a água de torneira da maior parte do Brasil serve como está. O que NÃO serve é o aquário amazônico de água mole e ácida em que vivem tetras e coridoras: nele o guaru sobrevive, mas se desgasta — é a combinação mais comum e mais silenciosa de erro com a espécie.

De resto, é o peixe mais tolerante da prateleira: 22 a 28 °C, variação diária sem drama, e a rusticidade de quem evoluiu em poça que esquenta e canal que salga. Aquário ciclado e estável continua sendo obrigação — rústico não é imortal.

Erro comum Um casal "para começar". Com uma fêmea só, o macho a corteja o dia inteiro, sem trégua — ela para de comer, se esconde e adoece. A configuração certa é 1 macho para 2 ou 3 fêmeas, que diluem o assédio entre si. É a mesma regra do guppy e do platy, pelos mesmos motivos.

O elenco: gregário, pacífico e de meia-água

O guaru é de grupo: um trio é o mínimo, e meia dúzia mostra o comportamento de verdade. Convive com tudo que aceita a mesma água dura: platy, espada, molinésia, coridoras de água firme — e com o próprio guppy, de quem é primo. Evite só os beliscadores clássicos (barbo-sumatra) e qualquer boca grande o bastante para engolir os filhotes que virão.

Monte o plano do aquário na calculadora de lotação — o guaru está na base — e confira a litragem real na calculadora de litragem.

Reprodução: ela acontece, você só decide o destino

Com machos e fêmeas no mesmo aquário, a reprodução não é projeto — é consequência. A gestação dura por volta de 28 dias e a ninhada vem grande: dezenas de filhotes, em fêmeas grandes chegando perto de cem, todos nascendo formados e nadando. A fêmea grávida fica visivelmente "barriguda" — daí o apelido barrigudinho.

O que você decide é o destino dos filhotes: num aquário com plantas densas (musgos, elódea, flutuantes com raiz), uma parte escapa dos adultos e cresce sozinha — é o suficiente para manter a população. Para criar de propósito, separe a fêmea dias antes do parto e devolva-a depois. E vale o aviso de todo vivíparo prolífico: sem plano para os filhotes, o aquário lota em poucos meses — a conta de lotação chega rápido.

Alimentação: onívoro de verdade

Come ração de porte pequeno, flocos, congelados e o que pastar de alga e microfauna — no ambiente natural a dieta é larva de mosquito, detrito e alga em proporções que variam com a estação. No aquário: base de ração de qualidade, reforço ocasional de artêmia ou dáfnia, e porções pequenas. Filhotes aceitam ração esfarelada desde o primeiro dia.

Um nome, três peixes: qual guaru é o seu

"Guaru" e "barrigudinho" são nomes que o Brasil usa para mais de um peixe. Este guia trata do Poecilia vivipara — o guaru clássico do litoral. No Sul, "barrigudinho" costuma ser o Phalloceros caudimaculatus, um parente de outra linhagem que prefere água mais fresca. E há quem chame de guaru o lebiste selvagem. Na loja ou na coleta, o nome científico desfaz a confusão — e importa, porque a água certa muda de espécie para espécie.

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O que do catálogo alimenta o guaru?

Ração comum de escama serve, e é isso mesmo: o guaru é onívoro e pouco exigente. O que ele pede e não está no pote é espaço e planta na superfície para os filhotes — sem isso a população se regula sozinha, do jeito ruim. O catálogo do aquacalc reúne os produtos dessa categoria com as informações do fabricante. O aquacalc não vende — monte a sua lista de itens e peça o orçamento à sua loja de confiança.

Perguntas frequentes

Guaru e barrigudinho são o mesmo peixe?

Os dois nomes cobrem mais de uma espécie. Este guia é do Poecilia vivipara, o guaru do litoral; o "barrigudinho" do Sul costuma ser o Phalloceros caudimaculatus. Na dúvida, confira o científico na compra.

Quantos filhotes o guaru tem?

Depois de ~28 dias de gestação, dezenas — em fêmeas grandes, perto de cem — todos nascendo formados e nadando. Com plantas densas, parte escapa dos adultos e cresce sozinha.

Por que 1 macho para 2–3 fêmeas?

O macho corteja sem parar; com uma fêmea só, ela vive perseguida e se estressa. Duas ou três fêmeas diluem o assédio — a mesma regra do guppy e do platy.

Guaru vive em água fria?

A faixa é 22–28 °C. Ele tolera variação melhor que a maioria, mas não é peixe de água fria — em inverno rigoroso, use aquecedor regulado baixo.

Fontes: Aquarismo Paulista — Guaru (Poecilia vivipara) · FishBase — Poecilia vivipara · ficha do guaru no catálogo (mesmos parâmetros, por construção).